A administração municipal não arrisca estimar nem quando, nem como será resolvido o problema da interligação entre a avenida Pedro de Toledo e a Vila Falcão. Ainda não foi definido nem o escopo (objetivo) do trabalho a ser elaborado pela empresa a ser contratada para fazer uma avaliação mais detalhada no viaduto Mauá, cujas estruturas estão comprometidas.
Suas duas pistas no sentido bairro-Centro foram totalmente bloqueadas na sexta-feira passada. Já as pistas do sentido contrário passaram a funcionar em mão-dupla. Conforme o JC publicou, embora aparentem ser uma obra única, as quatro pistas são formadas por dois viadutos. O Mauá está comprometido e o trânsito sobre ele está proibido. Já o Nuno de Assis, mais recente, passou a receber sozinho o tráfego de veículos nos dois sentidos.
A normalização do tráfego neste trecho ainda está sem solução. Ela será apontada em laudo técnico de empresa a ser contratada pela administração municipal. Porém, também é incognita se o contrato será firmado com dispensa de licitação. Até ontem à tarde, a prefeitura aguardava manifestação do departamento jurídico quanto à questão. Segundo o titular da Secretaria Municipal do Planejamento (Seplan), Leandro Joaquim, a situação – inicialmente – pode ser emergencial, mas a tratativa de contratação, não necessariamente. Por conta das características do contexto, o trânsito foi rapidamente desviado e passou a ser absorvido pelo viaduto mais novo. Como o risco foi contornado, apesar de seus reflexos ao tráfego, talvez a administração municipal deva dar andamento à uma licitação normal.
Neste caso, entre a publicação do edital, a contratação da empresa vencedora e o início do trabalho, transcorrerão cerca de 180 dias e a prefeitura estará nas mãos de outro chefe do Executivo. Enquanto isso, a Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb), continuará monitorando o tráfego de veículos para verificar a necessidade de novas intervenções viárias no trecho. Pelo que a reportagem apurou duas alternativas estão sob análise.
Interdição
A interdição viária foi implementada na última sexta-feira, após a apresentação de relatório técnico preliminar elaborado pelo Ministério Público (PM).
O promotor da Habitação e Urbanismo, José Carlos Carneiro de Oliveira, instaurou inquérito civil público para apurar as condições de segurança de pontes e viadutos de Bauru, após matéria publicada pelo JC sobre a precariedade dos equipamentos.
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Gases
Gases sulfurosos exalados pelo rio Bauru, sobre o qual o viaduto Mauá foi construído, também afetaram as estruturas do equipamento, segundo comentou um especialista com a reportagem. De acordo com o engenheiro, que pediu para ter o nome preservado, os gases se infiltraram e atingiram as estruturas de ferro (armadura de aço do concreto). Ao oxidarem, elas se expandiram e provocaram a desagregação do concreto, comprometendo toda a estrutura.
O contexto foi apontado pela fonte como um câncer generalizado na obra, projetada e construída entre 1950 e 1955. Ao fazer uma analogia com o corpo humano, ela ainda explicou que o viaduto está com as pernas quebradas. Fez o comentário ao referir-se aos pilares, que suportam o barranco do aterro do lado Falcão, os quais estão quebrados.
“Pela idade que esse viaduto tem, dificilmente atenderia as normas técnicas de estruturas atuais. Portanto, exigiria grandes obras de adequação para ser recuperado, mas é prematuro, sem estudos mais detalhados, afirmar que é irrecuperável”, conclui o especialista.