10 de julho de 2026
Nacional

Na ONU, Lula pede ação contra a crise, critica ricos e Bush

Por Da Redação | Com Folhapress e AE
| Tempo de leitura: 3 min

Nova York - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediu ontem, na abertura da 63.ª Assembléia Geral da ONU, maior participação de órgãos multilaterais na regulação dos mercados financeiros. Ele fez críticas ao que chamou de “anarquia especulativa” e ao breve comentário sobre a crise feita pelo presidente dos EUA, George W. Bush, o segundo líder a discursar. “Eu lamentei, porque eu imaginei que o presidente Bush, na última aparição dele nas Nações Unidas, (...) falaria um pouco da crise econômica, ou seja, o que o governo americano pretende fazer”, disse.

“Mas ele fez a opção por voltar a falar de terrorismo e eu, obviamente, como sou defensor da liberdade dos povos e da soberania dos discursos dos presidentes, eu fui obrigado, então, a ficar quieto. Eu esperava que ele fosse falar da crise econômica, que eu acho que era a coisa mais importante neste momento, que ele pudesse citar a dificuldade que está encontrando na Rodada de Doha, mas de qualquer forma, gente, cada um faz o seu pronunciamento.”

Discursando logo após a fala de abertura do secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon, Lula criticou a desregulamentação do mercado financeiro e pediu mais autoridade para organismos econômicos supranacionais (como o Banco Mundial) “para coibir a anarquia especulativa”, já que, para ele, “a ausência de regras favorece aventureiros e oportunistas, em prejuízo das verdadeiras empresas e dos trabalhadores”.

“A euforia dos especuladores transformou-se em angústia dos povos após a sucessão de naufrágios financeiros que ameaçam a economia mundial. As indispensáveis intervenções do Estado, contrariando os fundamentalistas do mercado, mostram que é chegada a hora da política. Somente a ação determinada dos governantes, em especial naqueles países que estão no centro da crise, será capaz de combater a desordem nas finanças internacionais.”

Lula usou o pedido de esforços conjuntos no combate à especulação desenfreada para defender maior cooperação entre os países, para que se encontrem soluções para outras crises mundiais, como a energética e a ambiental. Ele também voltou a defender a ampliação do Conselho de Segurança da ONU, o álcool de cana-de-açúcar, a Rodada Doha e o estreitamento entre nações do Hemisfério Sul em parcerias e acordos que não necessariamente envolvam os países desenvolvidos do Norte.

Suas críticas mais contundentes, entretanto, foram sobre a política mundial de imigração. O presidente não citou nominalmente a Diretiva de Retorno, lei aprovada pela União Européia em junho que estabelece punições mais rígidas a imigrantes ilegais, mas se referia a ela.

Bolívia e “novos muros”

Durante o discurso, Lula lembrou que “o Muro de Berlim caiu”, “mas é triste constatar que outros muros foram se construindo”. O presidente defendeu a retomada das negociações da Rodada Doha, afirmando que “muitos que pregam a livre de circulação de homens e mulheres, com argumentos nacionalistas - e até racistas - que nos fazem evocar - temerosos tempos que pensávamos superados”.

O presidente fez também referência à crise na Bolívia, afirmando que a Unasul, grupo que congrega todos os países sul-americanos, deu “uma resposta rápida e eficaz frente a situações complexas” e que respalda “o governo legitimamente eleito, suas instituições democráticas e sua integridade territorial”, mas apela “ao diálogo como caminho para a paz”.

Lula criticou também a demora na reforma do Conselho de Segurança das Nações Unidas, que está sendo discutida há 15 anos. As crises alimentar mundial e energética também foram citadas pelo presidente no discurso. Lula tentou desvincular a relação entre a inflação no preço dos alimentos no mundo e os biocombustíveis.