08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Leishmaniose e os super-heróis


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Após minha aposentadoria, tenho caminhado por vários locais de nossa cidade e sempre me deparo com os famosos super-heróis, que não têm idade e sexo definidos. São pessoas muito elogiadas por suas famílias, pois quando o caminhão de coleta de lixo, por algum motivo, não passa no dia marcado ou quando alguém de sua casa se esquece de colocar o saco de lixo para fora, o super-herói, no mesmo dia ou no dia seguinte, faz o serviço de limpeza do seu lar.

Coloca, geralmente, os sacos de lixo no porta-malas do carro e sai procurando um local para a desova dos mesmos, quase sempre em um terreno baldio. Alguns, na calada da noite, fazem o trabalho sujo a pé, pois o local fica perto de sua residência e pode haver testemunhas.

O lixo e só um dos itens, pois é possível encontrar os mais variados bens: cadeiras, camas, mesas, colchões, etc aos montes em diversos locais da cidade. Às vezes dá para notar que são resultados de faxinas em oficinas ou outros estabelecimentos e os produtos das mesmas não vão para coleta de lixo, mas sim para os terrenos baldios, o mesmo acontecendo quando limpam o quintal, podam plantas e flores.

Quando os sacos de lixo apresentam pouco volume (geralmente contendo restos de alimentos), alguns super-heróis os colocam no interior do carro e, diminuindo a velocidade, procuram arremessá-los nos terrenos baldios. Alguns conseguem encestar, isto é, conseguem ultrapassar muros ou muretas existentes, entretanto, a grande maioria, sem habilidade, atiram os sacos e eles batem na tabela (muro) e aro (mureta) e caem na calçada ou na própria rua. Acredito que aqueles de mais idade, quando não acertam o arremesso, lembram-se dos grandes cestinhas de nossa cidade e de como poderiam ter treinado com a Jaci, Lurdinha, Suzete, Simone, Caetano, Tidei, Lima, Raduan e muitos outros. Ledo engano! Se tivessem participado de cursos ou convivido com algumas destas pessoas, teriam aprendido alguns princípios básicos, que iriam influir na sua educação e não seriam os super-heróis do lixo.

Existem, também, aqueles super-heróis que querem dar continuidade de seu empenho aos seus familiares. Presenciei alguns avós, pais e tios dando treinamento às suas crianças; param o carro, retiram os sacos e a criança de um lado e o super-herói do outro fazem o tradicional um, dois, três e já. Fica mais bonito, ainda, quando param o carro em cima de pontes e o saco de lixo cai no rio.

O super-herói, no retorno ao lar, deve ser elogiado pelos familiares, pois ficaram livres do lixo, pelo menos por alguns dias. Infelizmente aquele lixo, jogado em terreno baldio, vai ficar por muito tempo em decomposição, possibilitando o aparecimento do mosquito palha que, por ironia do destino, poderá picar um super-herói, porém, como o serviço é feito com rapidez, os vizinhos ou pedestres que transitam pelo local da desova ficam com o maior risco de contaminação.

Por isso, para minimizar a Leishmaniose, não devemos esperar somente o poder público cumprir com suas obrigações, mas devemos desenvolver ações de conscientização da população, principalmente os super-heróis, para que não joguem lixo em terrenos baldios e rios, pois ao limparem suas casas desta forma, estarão beneficiando poucas pessoas em detrimento das inúmeras que transitam pelas ruas de nossa cidade. Sugiro que a Prefeitura Municipal coloque à disposição dos munícipes um telefone - disque-denúncia - com objetivo de coibir essas ações desses super-heróis.

Luiz Aldo Tezani - Careca do Bento Cruz