A matéria publicada neste jornal sobre a Portaria editada pelos Ministérios da Saúde e da Agricultura que proíbe os veterinários de tratarem os cães com Leishmaniose Visceral infelizmente não está completa, pois faltou colocar nela que o Ministério Público deu entrada a uma nova Portaria, esta de Instauração de Procedimento Administrativo, que recomendou a revogação da primeira Portaria.
Graças aos esforços de verdadeiros veterinários, membros da Anclive de Minas Gerais (Associação Nacional dos Clínicos Veterinários de Pequenos Animais), o Procurador Geral da República por aquele Estado, dr. Fernando de Almeida Martins, recomendou a revogação dessa Portaria alegando, entre outros pontos, que há mais de dez anos veterinários mineiros tratam a doença com sucesso e, baseado em pesquisas científicas, afirmam que cães em tratamento e aqueles que já foram tratados, são incapazes de transmitir a Leishmaniose, pois deixam de ter protozoários presentes em sua pele. Além disso, questionou as técnicas de detecção da doença, pois o atual exame usado (quando é feito), o sorológico, verifica apenas se o animal produz anticorpos contra o protozoário transmissor, sem comprovar sua existência.
Segundo a Arca-Brasil, essa portaria arbitrária “não prevê políticas preventivas que ataquem o principal transmissor da doença (o mosquito vetor), não torna obrigatória a utilização de testes eficazes de identificação do mal, não propõe vacinação em massa ou campanhas de conscientização e prevenção.” Na Europa, principalmente na Espanha (onde existem 4 milhões de cães), os animais com Leishmaniose Visceral não são sacrificados há muitos anos. Segundo o dr. Fábio Nogueira, nos países desenvolvidos o tratamento da doença é rotineiro e amparado por produtos veterinários.
O Glucantime, da Merial, específico para veterinária e similar ao humano, é usado na Europa há bastante tempo; o Milteforan é a novidade da Virbac na Europa para tratamento da Leishmaniose; a comunidade européia também conta com o suporte da indústria de rações: a Affinity Pet Care possui na sua linha de alimentos sob prescrição, a ração Leishmaniasis Management, alimento específico para cães com Leishmaniose. Se esses cães tratados continuassem sendo transmissores da doença, em uma comunidade exigente com a saúde como é a européia (lembram-se das exigências sobre nossos produtos para serem para lá exportados?), haveria novos medicamentos e até ração específica para eles? Alguém já leu alguma notícia de mortes de humanos por Leishmaniose na Espanha?
Será que já não é hora de acabar com essa manipulação vergonhosa da opinião pública contra os cães e o poder público fazer jus ao dinheiro que nos tira, e realmente trabalhar para o bem estar de toda a população? Mas negar medicamento e matar cães sem sequer fazer exame para comprovar a doença é bem mais cômodo e mais barato, e mostra “trabalho” ao povo que desconhece o assunto. Enquanto isso a doença vai se alastrando. Isso é Brasil.
Dinéia Rasi Baptista - RG. 6.343.249