Que César Cielo foi o nadador que trouxe uma medalha de Ouro das Olimpíadas de Pequim, todos sabem, mas quem é Lucas Prado? Este rapaz, deficiente físico, ganhou não apenas a medalha de ouro na para-olimpíada, mas quebrou um recorde na sua modalidade da natação.
Por que os atletas para-olímpicos nunca posam para fotos com presidentes da República? Porque nunca passeiam em carros de bombeiro ou recebem telefonemas de autoridades congratulando-os? É no mínimo curioso esse comportamento, já que o Brasil sempre ficou em melhores posições no quadro de medalhas da para-olimpíada do que na competição dos belos, fortes e juvenis atletas perfeitos. Só para se ter uma idéia, naquela o Brasil ficou num honroso 9o lugar, com muito mais medalhas e recordes olímpicos, contra um vergonhoso o 23.º da Olimpíada.
Cada atleta pára-olímpico é um vencedor antes mesmo de iniciar a prova. Venceu suas barreiras pessoais, suas limitações, tabus e, principalmente, o descrédito da sociedade. Só não venceram a ignorância de quem não os prestigia. Por que nenhuma emissora de TV dedica alguns poucos segundos de sua programação em nome deles? Onde estão os jornais, com manchetes de primeira página?
O que mais me entristece é que esses atletas, dotados de enlevado espírito de luta e perseverança, levantam a bandeira brasileira com orgulho, ainda que a nação não lhes dedique uma pequena nota de rodapé sobre seus grandes feitos. Perdemos a chance de aprender com eles e, mais ainda, de transformarmos em heróis quem realmente merece. Parabéns aos brasileiros mancos, deformados, manetas, aleijados, que lutaram na China apenas o que lutam no dia-a-dia, e nos desculpem: só não os aplaudimos mais porque somos deficientes.
Ivan Garcia Goffi