08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

STF solta a impunidade


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O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, parece não estar cansado de aparecer na imprensa. Após decisões polêmicas como o solta-prende de Daniel Dantas, agora ele quer liberdade para aqueles que estão presos sem terem recorrido a todas as instâncias jurídicas. O apoio de Mendes a uma medida que pretende soltar vários presos no Brasil mostra como a justiça pode ser mais lenta ainda no país. Para se ter uma idéia, hoje o tempo para uma pessoa se defender em todas as instâncias pode ultrapassar dez anos e, em alguns casos, o processo sequer é julgado, pois acabam indo para as gavetas dos tribunais de justiça dos estados. A decisão de prender pessoas apenas após o trânsito em julgado possibilita que somente quem não possui condições de ter um advogado para recorrer às decisões de juízes espalhados nos TJs vão ser encarcerados. Os colarinhos-brancos vão continuar desfilando nas passarelas da impunidade, pagando advogados caros responsáveis por ir de porta em porta nos tribunais buscando recursos favoráveis a seus clientes.

Se for aprovado pela maioria do Supremo o que Gilmar Mendes já afirmou ser favorável, as portas para a impunidade vão ser abertas explicitamente no Brasil. Não serão vistos empresários e políticos nas cadeias, pois dinheiro para gastar com suas defesas é o que não falta. O STF, e mais especificamente o presidente Gilmar Mendes, se arriscam novamente a tomar posturas polêmicas que vão contribuir para agravar a morosidade da justiça brasileira. Se atualmente já é comum ver o cansaço dos cidadãos na busca por prender criminosos políticos e responsáveis por crimes contra o sistema financeiro, daqui a alguns meses, vai ser raro ver alguém perder em todas as instâncias. E se perder, o Supremo solta como vem acontecendo nos últimos meses. Será que o STF quer ver velhos bandidos que já possuem trânsito nos tribunas presos daqui a uns 20 anos? Se for isso, o povo brasileiro lamenta. Quando se pergunta porque o jovem se desinteressa pela política ou porque o brasileiro não se lembra em quem votou, essas questões deveriam vir à tona. Paga-se uma fortuna para manter os três poderes funcionando e o que se vê são regalias que apenas facilitam a vida daqueles que cometeram crimes, mas que podem pedir socorro aos tribunais. É a justiça do Brasil. É preciso pressionar os ministros para que não tomem essa atitude e agilizem os trabalhos jurídicos e não emperrem ainda mais o sistema judiciário. Está na hora de encher a caixa de e-mails dos ministros para que eles pensem com mais cautela sobre o caso e discuta com a sociedade antes de tomar medidas como essas.

Aelton Aquino - estudante de jornalismo da Unesp