09 de julho de 2026
Pesca & Lazer

História de pescador: Última vez


| Tempo de leitura: 3 min

A última viagem ao Pantanal do Mato Grosso foi em 2002, e fui como convidado pelo sargento Osvaldo, que também já foi pra outras bandas, está pescando com outros que já foram. Como estava dizendo, nós sairmos com uma caminhonete D-20 a álcool do Tião, que era um pescador profissional e foi também a sua mulher, que era uma guerreira em pescaria.

O Tião tinha um rancho na beira do rio Taquari. Não era bem um rancho, era uma casa bem grande com todo conforto e utensílios para uma pescaria, que ele alugava para os pirangueiros na época de pescaria.

Bem, nós saímos de Bauru, nós quatro na caminhonete do Tião e fomos bem acomodados na carroceria com um bom toldo com colchões para tirar uma soneca e mais os apetrechos de pescaria e o Osvaldo levou seu motor de popa de 25HP, porque o Tião tinha botes no rancho.

Chegando no Rio Verde fomos fazer umas compras para passarmos uma semana no Pantanal, e pé na estrada novamente até chegarmos a um posto de gasolina, a 5 km de Coxim, e pegamos uma estrada de terra batida e andamos mais 25 km até chegarmos ao tal rancho. No local tinha vários ranchos, cada qual com seu lote.

Chegamos à tardinha, estava escurecendo e não deu para ver quase nada naquele dia. Saímos de Bauru um domingo e à tarde fomos reconhecer o local, que ficava num lugar maravilhoso e tinha uma grande lagoa com ancoradouro e que ligava ao rio Taquari por um canal.

Na segunda-feira saímos bem cedo para armar os anzóis de galho. Nós armamos uns dez anzóis e ficamos pescando e vigiando os nossos anzóis. E quando chegou a tarde fomos ver se tínhamos pego alguns peixes. Naquele dia a sorte nos sorriu com dois peixes, um dourado e uma cachara. E regressamos ao rancho, para sair à noite e continuar a pescaria.

E assim foi a nossa pescaria até quinta-feira e sempre com dois peixes nos anzóis, até que houve um desentendimento entre Osvaldo e o Tião, aí a pescaria ficou ruim, os dois não se falavam mais.

Eu saía com o Tião para pescar e o Osvaldo ia com outro piloteiro fazer a sua pescaria e assim foi até o dia de nós voltarmos. Só sei que no fim eu fiquei amigo do Tião e Osvaldo perdeu amizade com o Tião. Um dia a mulher do Tião estava preparando um peixe para o almoço e o Osvaldo falou outra besteira que tinha areia no peixe, e no fim era sal grosso que tinha no tempero do peixe.

Bem, nós voltamos a Bauru uma semana depois com muitos peixes, e nós viemos por outro caminho porque o Tião trouxe muitos peixes fora de medida. Chegamos a Bauru na madrugada de uma segunda-feira.

Foi muito triste o acontecido entre o Tião e o Osvaldo, e fomos repartir os peixes no quintal da minha casa. No fim deu para cada um cinco peixes grandes. Daquele dia em diante nós não comunicamos mais com o Osvaldo, eu e o Tião vimos mais umas vezes, mas nunca mais fomos a uma pescaria e o Osvaldo depois de 20 anos voltou a falar comigo e não sei o que deu com ele e o Tião.

Não sei o que aconteceu com o Tião. Faz muito tempo que nós não cruzamos e, se um dia nos encontrarmos, quero dizer a ele que eu fiquei muito feliz com sua amizade. Lembranças a sua esposa, um amor de criatura, do seu amigo de pescaria Florindo.

Florindo Martins é pescador e contador de histórias de pescaria