09 de julho de 2026
Política

Gazzetta quer Secretaria de Segurança

Nélson Gonçalves
| Tempo de leitura: 3 min

O candidato a prefeito pelo PV, Clodoaldo Gazzetta, disse ontem em palestra a estudantes do ensino médio no colégio D‘Incao que a administração municipal sofre com a falta de recursos e a ausência de integração de políticas públicas mas, de outro lado, afirmou que se for eleito vai criar mais uma estrutura: a Secretaria de Segurança Pública.

Na visão do candidato, a instalação de mais uma pasta vai permitir a implementação de ações para minimizar a violência urbana e, além disso, formar estrutura para acesso a recursos de programas federais no setor.

Apesar da proposta, o candidato, ao responder a outro questionamento de alunos e professores do colégio, reconheceu que muitas das áreas municipais não têm condições de alimentar ações básicas por falta de recursos, sem contar a relação dessa realidade com o endividamento da prefeitura, que consome boa parte das receitas anuais.

Ao afirmar que vai criar o festival de cinema, por exemplo - programa que na verdade já existiu e foi engavetado nas últimas gestões -, Gazzetta elenca que é necessário ter o fundo de cultura em outro formato, mas com o aumento dos recursos, em razão da verba atual do orçamento local disponibilizar apenas 0,2% das receitas para esta finalidade. Todavia, o candidato do PV propõe passar os recursos para 0,4% em quatro anos. É o mesmo que afirmar que vai fazer pouco com quase nada: óbvio.

Embora defenda a criação de mais uma Secretaria – sem contar que ele também vem afirmando, a exemplo dos demais candidatos, que vai reabrir a Secretaria das Administrações Regionais (Sear) -, Gazzetta não discutiu, por exemplo, como comporia a repartição das verbas para uma nova estrutura. Na prática, a mais humilde das estruturas de pastas municipais consome pelo menos R$ 500 mil/ano, apenas para o funcionamento mínimo, conforme o orçamento de 2009.

Conceito do óbvio

Essas e outras idéias, entretanto, alimentam o paradoxo de que, na visão de Clodoaldo Gazzetta, suas “propostas são inovadoras e discutem conceitos e não o óbvio”. Ao ser indagado sobre a atuação municipal no combate à violência, o candidato preferiu criticar adversários que os antecederam na mesma palestra no colégio: “A prefeitura deve participar e auxiliar no combate à violência. Dizer que é competência do Estado e da União não cola. Vou criar a Secretaria de Segurança Pública”, afirmou.

No campo da obviedade discursiva eleitoral, Clodoaldo alfinetou que “dizer que encher a cidade de bico de luz dá sensação de segurança é demais. Tem de avisar os ladrões para não roubarem de dia então”. Mas se confrontar a ironia com o que pensa a Polícia Militar, uma indicação prática alimenta o óbvio. Conforme matérias publicadas pelo JC, a polícia reconhece que a extensão de programas de iluminação pública e a melhoria da luminosidade nas ruas contribui com qualidade de vida, acessibilidade, mobilidade e inibe a prática de delitos.

O viés da questão também foi gerado em outra direção. É que a discussão foi proposta aos demais candidatos em relação a quais medidas poderiam ser implementados para atacar problemas de segurança pública, como o aumento de seqüestros relâmpagos, por exemplo, e violência nas ruas.

Caio Coube (PSDB) e Rodrigo Agostinho (PMDB) disseram que as competências na área preventiva e de investigação são das Polícias Militar e Civil e que, neste aspecto, a prefeitura deve participar com a discussão junto às ações das corporações e aos conselhos de segurança, além de implementar medidas que gerem melhorias, como a ampliação da iluminação pública e a criação de programas de inclusão e de opções de lazer e cultura.