10 de julho de 2026
Nacional

Delegado recebe voz de prisão por se recusar a escoltar preso

Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

São Paulo - Um juiz de Fernandópolis registrou ontem uma queixa por desobediência a ordem judicial e prevaricação (prejudicar o serviço público em benefício pessoal) contra um delegado de Indiaporã. Por causa da greve na Polícia Civil, ele não deixou que dois policiais fizessem a escolta de um preso.

O magistrado Vinícius Bufulin, da 2.ª Vara Criminal de Fernandópolis (553 quilômetros de SP), adotou a medida por causa da ausência do preso Claudinei Pestana a um júri na cidade. Detido há um ano e quatro meses, ele é acusado de homicídio triplamente qualificado.

Segundo o delegado-assistente da Seccional de Fernandópolis, Oreste Carósio Neto, o juiz foi até Indiaporã (597 quilômetros de SP) “para dar voz de prisão’’ ao delegado Luiz de Macedo.

“Ele (delegado) deixou de apresentar um preso, em razão do nosso movimento (greve), e o juiz se dirigiu à delegacia para lhe dar voz de prisão por desobediência, mas ele não estava.”

O promotor de Fernandópolis Eduardo Querobim acompanhou o juiz e negou que o magistrado tenha ido ao local para prender o delegado.

“Fomos lá para ele (delegado) se compromissar a ir ao Juizado Especial Criminal para uma audiência preliminar. Se ele se recusasse seria caso de prisão em flagrante. Como não estava, formalizamos o termo circunstanciado, já que havia indícios de possível prevaricação ou desobediência.”

O termo circunstanciado é um registro sobre a possível ocorrência de um crime.

O júri deveria começar às 9h15, em Fernandópolis. Em razão da ausência do réu, juiz e Promotoria pediram à Secretaria da Segurança Pública que levasse Pestana ao plenário.

Em Indiaporã, o delegado impediu que os dois policiais fizessem a escolta, segundo a Secretaria da Segurança Pública. “Esse delegado deveria estar mal informado pelas lideranças sindicais”, disse o secretário Ronaldo Marzagão.

O delegado e o juiz não foram localizados. A escrevente-chefe do fórum de Fernandópolis, Dejanira Medeiros, disse que o juiz não falaria.