11 de julho de 2026
Política

Aloysio: ‘DER vai fazer Nações Norte’

Nélson Gonçalves
| Tempo de leitura: 5 min

O secretário da Casa Civil do governo do Estado de São Paulo, Aloysio Nunes Ferreira, afirmou ontem em Bauru, que a construção da avenida Nações Unidas Norte será realizado pelo Departamento de Estradas e Rodagem (DER). Ferreira disse também que o Estado atua para que a licitação possa ser aberta até dezembro deste ano.

Em entrevista ao JC, o chefe da Casa Civil do governador Serra também criticou a postura dos policiais civis que aderiram ao movimento grevista e alfinetou que a paralisação tem a contribuição da Central Única dos Trabalhadores (CUT). Leia os principais pontos da entrevista:

Jornal da Cidade – Como fica a situação salarial da Polícia Civil?

Aloysio Nunes Ferreira – A comparação que vem sendo levantada não tem muito cabimento. Primeiro porque comparar o Estado de São Paulo com o Acre é muito diferente, porque aqui há encargos e amplitude que o Acre não tem. Mas o fato é que a média salarial da Polícia Civil paulista é maior que a média salarial do Acre. Mas o ponto é que temos uma boa polícia, temos orgulho de uma polícia eficiente, que tem contribuído enormemente para a queda da criminalidade no Estado e acho que ela merece, efetivamente, ter melhores salários e melhores perspectivas profissionais. Só que Roma não foi feita em um dia e nós não temos condições de atender a reivindicações que hoje somadas dão R$ 3 bilhões, para uma folha de pagamento que hoje está em torno de R$ 8 bilhões. Então está absolutamente fora da realidade do Estado, sem falar de outras reivindicações que no nosso entender são absurdas como eleição de Delegado Geral, que significa criar partidos políticos dentro da Polícia Civil. No ano passado já houve início desse processo, com a incorporação de uma das gratificações e com o aumento do salário base que levou a um dispêndio de R$ 500 milhões.

JC - Qual a posição do governo a respeito do comportamento dos policiais na greve?

Aloysio – A direção das associações e dos sindicatos elaborou uma cartilha que contraria a decisão da Justiça que é de manter pelo menos 80% do efetivo trabalhando. Eles fizeram uma cartilha que contraria esta decisão na medida em que preconiza o atendimento seletivo. É uma greve que portanto, desta forma, pode prejudicar gravemente a população do Estado. Só não prejudica mais porque o governo está tomando as providências. Nós temos números para acesso por telefone e internet para ocorrências, nós temos a possibilidade de boletim eletrônico, de tal forma que o potencial lesivo desta greve não se manifestou. O serviço de segurança pública continua sendo oferecido, mesmo com prejuízos. Mas nós queremos que a situação se normalize de modo que possamos ter a Polícia Civil toda trabalhando. Lamento a mistura de CUT no movimento, a CUT está dando suporte material ao movimento e falar em CUT é falar em PT e portanto há risco de partidarizar o movimento, o que é coisa deplorável.

JC – A obra da Nações Norte saiu da concessão rodoviária. Ela sai ou não?

Aloysio – Quero dizer que o Estado já achou a alternativa. O Estado vai fazer a construção da Nações Norte pelo próprio DER. Esta é a solução. O projeto está praticamente concluído e espero que a licitação possa ser lançada ainda no mês de dezembro deste ano. O projeto foi modificado porque no original ele previa, além da extensão da avenida propriamente dita, todo um conjunto de obras de urbanização da área, que se situa fora do escopo do DER. Essas obras são de natureza municipal. O DER até por lei não poderia fazer obra de urbanização. Então estamos concluindo a modificação do projeto para construir a Nações Norte, circunscrevendo ao âmbito do DER. Mas é definitivo, vamos fazer a avenida por nossa conta.

JC – O governador Serra esteve em Botucatu e aceitou discutir possível alteração no local de instalação de uma praça de pedágio da Rondon. A discussão pode ser feita também para o trecho que inclui Bauru?

Aloysio – É claro que há espaço para se discutir. Há um estudo técnico que está sujeito à rediscussão, de modo a adequar o projeto original à realidade local.

JC – O PSDB não sai enfraquecido da eleição em razão da divisão na capital?

Aloysio – Eu prefiro a situação que estamos vivendo em Bauru, com o PSDB junto com o DEM, o PPS e o PP. É a situação ideal, porque são partidos que estão juntos, participando da aliança que elegeu o governador Serra e que havia participado também coligados na eleição Serra e Kassab e que estão sintonizados em uma ação de oposição firme ao governo federal. É uma situação mais clara, absolutamente de acordo com a linha programática e as diretrizes políticas de nosso partido.

JC – Há espaço para discutir expulsão de infiéis após a eleição, como defende o deputado Pedro Tobias?

Aloysio – Não creio. Você não pode resolver uma questão complexa como esta, que o PSDB de São Paulo vive hoje, na capital, com medidas disciplinares. Com todo respeito ao meu querido amigo Pedro Tobias, acho que isso é uma situação evidentemente complexa. O PSDB participa do governo Kassab, não rompeu com o governo Kassab e comanda postos chaves da administração do prefeito Kassab e na seqüência do programa de governo do prefeito Serra. O partido lança um homem que merece todo nosso respeito, que foi um grande governador e que tem muito prestígio, que é o Alckmin. É uma situação complexa e não há medida disciplinar que resolva, é diálogo, compreensão, tolerância, esperar para sarar as feridas que estão abertas hoje.