08 de julho de 2026
Geral

Evento ferroviário é sucesso de público

Davi Venturino
| Tempo de leitura: 5 min

Centenas de pessoas passaram, ontem, pelas dependências da antiga Estação Ferroviária de Bauru para conhecer de perto a história das ferrovias, responsáveis por impulsionar a economia de Bauru e da região no século passado. Somente no período da manhã, estima-se que mais de 1 mil pessoas foram conferir o 1.º Encontro Histórico Ferroviário e de Ferromodelismo de Bauru, que prossegue hoje, das 9h às 17h, com entrada gratuita.

Os organizadores se surpreenderam com o interesse do público. “O público surpreendeu, interessado e querendo discutir e conversar. Somos abordados a cada minuto por pessoas interessadas em falar sobre a ferrovia, sobre o que viveu na ferrovia”, comenta Henrique Perazzi de Aquino, diretor do Departamento de Proteção ao Patrimônio Cultural da Secretaria Municipal de Cultura (SMC).

Segundo Aquino, as mesas de ferromodelismo são um dos destaques do evento. “O ferromodelismo é um evento para adultos. O que nós estamos vendo, no entanto, é a criança maravilhada com isso. Os pais trazem os filhos e eles ficam vendo os trenzinhos e se interessando”, confirma.

O técnico de segurança Gilberto Ataíde, 38 anos, teve a oportunidade de conhecer de perto o ferromodelismo. “Eu já tinha ouvido falar, mas nunca vi pessoalmente. Achei muito interessante”, confirma. “O evento é a valorização de um meio de locomoção que está esquecido, principalmente pelos poderes públicos do Brasil. Os países de primeiro mundo investem mais em ferrovia do que em rodovia. É o que devia acontecer no Brasil também. Quanta riqueza perdida”, lamenta.

Várias entidades ferromodelistas participam do encontro. É o caso da Associação Barão de Mauá, com sede em Ourinhos, que montou uma maquete itinerante na plataforma da antiga estação ferroviária. “Nós a fizemos para carregar nos eventos e ajudar a divulgar o hobby. Temos uma maquete fixa na estação de Ourinhos, nossa sede, que representa alguns trechos da Sorocabana. Essa que trouxemos a Bauru é uma maquete modular em sessões de 1,10 metro cada, sendo que cada trecho é feito por uma pessoa”, detalha.

Entre tantas atrações, outro destaque da feira é o dormente ecológico, fabricado com resíduo plástico de garrafas pets e PVC. A idéia é de Sebastião Pereira da Silva, 80 anos, que criou uma máquina para transformar o plástico em bloco monolítico utilizado como mourão (cerca).

“Fiz a máquina-piloto e já saíram os mourões. Agora eu estou fazendo uma máquina de alta produtividade para 750 toneladas de material”, explica Silva. Segundo ele, os dormentes ecológicos são mais duráveis e resistentes do que os de madeira.

Passeio saudosista

O ex-maquinista aposentado da Noroeste do Brasil, Francisco Antônio Florentino de Oliveira, 79 anos, se emocionou ao participar do encontro. Ele foi um dos vários visitantes que passearam em cima de uma réplica de locomotiva, criada por dois irmãos de Lençóis Paulista. “Foi um sonho, fiquei impressionado. Entrei ainda criança na estrada de ferro”, relembrou, com lágrimas nos olhos, o ex-ferroviário, que por 37 anos trabalhou na Noroeste. “Nós trabalhávamos com os colegas como se fossem irmãos.”

A réplica da locomotiva que carregou o ex-ferroviário foi montada pelos irmãos Pedro Luis Botan, 52 anos, e Arnaldo Botan, 61 anos. Ambos aposentados, eles levaram cerca de seis anos para completar o modelo movido a carvão. “Comecei a gostar (de ferromodelismo) em 1978, quando comecei a fazer minha primeira locomotiva. Depois, em 1983, realmente decidi fazer essa locomotiva junto com meu irmão”, revela Pedro. Segundo ele, a máquina é réplica de um modelo americano.

O 1.º Encontro Histórico Ferroviário e de Ferromodelismo de Bauru é organizado pela SMC em parceria com o Museu Ferroviário Regional de Bauru e Associação Ferromodelista de Bauru (AFB). O evento tem o apoio do Estação Café, Microlins, Serra Verde Express, Clube de Carros Antigos do Centro Oeste Paulista, América Latina Logística (ALL), TOTVS, Associação de Ferromodelismo e Preservação Ferroviária Barão de Mauá, Lume Light Comunicação Visual, Frateschi Trens Elétricos, Rio Grande Hobbies Ferreomodelismo e Jornal da Cidade.

O Encontro Ferroviário segue hoje, nas dependências da antiga Estação Ferroviária e do Museu Ferroviário, das 9h às 17h.

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História contada em quadros e modelos

O ferroviário aposentado Vivaldo Pitta, 70 anos, também marcou presença no 1.º Encontro Histórico Ferroviário e de Ferromodelismo de Bauru. Ele conta a história da Noroeste do Brasil (NOB) em quadros, desde o desbravamento das matas para a construção de novos trechos até o auge da ferrovia.

Ao todo, ele tem mais de 100 quadros pintados, retratando não só a história da ferrovia na região de Bauru, como também a história de Avaí, sua cidade natal, que nasceu ao lado da estrada de ferro.

Pitta começou a desenhar logo depois que se aposentou como ferroviário, em 1984. “Eu não sabia que tinha esse dom”, brinca ele, que mantém um museu em Avaí onde estão expostos seus quadros. As telas não estão à venda.

Houve mais gente quem veio de longe para expor sua arte. O metalúrgico José Leonel Damasceno Filho, 47 anos, mais conhecido como Léo, veio de Ribeirão Preto para expor uma réplica do trem da Companhia Mogiana de Estrada de Ferro e de uma estação ferroviária. Tudo inspirado na história deixada pela ferrovia na região de Ribeirão Preto, onde ele nasceu e cresceu.

Léo conta que nunca foi ferroviário, mas sua profissão como metalúrgico o ajudou a construir as réplicas nas horas de folga.A locomotiva que ele trouxe para o evento é capaz de “transportar” de quatro a seis crianças ao mesmo tempo.

Para ter direito a um passeio, as crianças precisam responder a três perguntas sobre ferrovia. Com isso, Léo acredita que está ajudando a educar as novas gerações sobre esse meio de transporte e a importância que teve e tem para a economia local e nacional.