Ao longo da história, a madeira foi sempre uma das principais aliadas do homem em suas criações, a fim de atender suas necessidades. Rodas, armas, móveis, casas e tanto outros utensílios foram produzidos tendo a madeira como matéria-prima principal. E quando o assunto é casa de madeira, Bauru se destaca entre todas as cidades da região.
É difícil dimensionar o número exato de edificações, já que nem o Corpo de Bombeiros nem mesmo a prefeitura possuem um levantamento sobre a quantidade de casas feitas de madeira. O que se sabe é que elas fazem parte do cenário urbano de Bauru e que são um verdadeiro patrimônio histórico do município.
Em alguns bairros, como no Jardim Bela Vista e nas vilas Independência, Coralina e Cardia, elas se destacam entre as centenas de residências construídas em alvenaria. Essas construções estão nesses locais há décadas, algumas há 30 anos, outras são cinqüentenárias e já abrigaram não só uma, mas duas e até três gerações da mesma família.
Maria Cruz Miani, 81 anos, é uma dessas pessoas que assiste à terceira geração da sua família viver numa casa de madeira, construída na quadra 4 da avenida das Tulipas, no Jardim Vista Alegre. No local, a senhora viu crescer os filhos, netos e assiste agora seus bisnetos, que vivem com ela. Quem olha de fora, não imagina o quanto a casa é aconchegante e espaçosa. Dois quartos e duas salas, cozinha, banheiro e enorme área de serviço no fundo.
Na casa tudo é de madeira, com exceção apenas do piso da cozinha, que foi trocado por piso frio, mas o restante, desde as paredes até o forro, usa exclusivamente a madeira como matéria-prima. “Mora aqui há 55 anos. Meu marido construiu aqui para a gente morar, mas tínhamos outras casas também no bairro, todas feitas de madeira, que ficaram alugadas por algum tempo ou serviram de moradia para os filhos”, lembra a moradora.
De acordo com o arquiteto Fernando Gallo, as casas de madeira surgiram na cidade quando o município vivia outra realidade, bem diferente da atual. “No passado quem não podia construir uma casa de alvenaria, com tijolos, massa e com forro de laje, recorria às construções de madeira, que na época eram a saída para quem não tinha tanto dinheiro”, conta Gallo.
Ele explica que o processo de construção dessas casas no passado não seguia nenhum projeto de arquitetura. “As obras eram praticamente artesanais e quem trabalhava nela geralmente eram amigos e familiares”, completa Gallo. O arquiteto conta, ainda, que apenas o alicerce era feito de concreto ou de terra batida.
As casas de madeiras estão presentes também em menor número em outros bairros da cidade, como no Jardim Mary Dota, jardins Vitória, Petrópolis e Gérson França, vilas Falcão e Quaggio, além do Jardim Ouro Verde e parques Godoy e São Geraldo.
Hoje, pela escassez e também pelo preço, a madeira já não é mais utilizada com tanta freqüência para edificações residenciais, pelo menos em Bauru. Nos Estados do Sul, esse tipo de construção ainda é muito comum. De acordo com profissionais de arquitetura, a madeira está mais presente em obras específicas e quase sempre em prédios comerciais.
O mercado da construção civil oferece outras opções para quem não abre mão dos que eles chamam de conforto térmico e acústico. As construções mistas, que utilizam madeira e alvenaria, têm sido bem aceitas no mercado.
Outra opção são as casas pré-fabricadas de madeira, que também ganham espaço no mercado. Basta uma rápida visita até a Internet para conhecer diversas empresas no Estado e fora dele especializadas nesse tipo de construção. De acordo com Dirceu de Moraes Terni Júnior, que possui uma empresa em São Paulo especializada na construção de casas pré-moldadas de madeira, a construção é rápida e a manutenção se resume ao uso do verniz.
O metro quadrado desse tipo de construção varia em torno de R$ 600,00. “A pessoa interessada pode ter uma excelente casa gastando a partir de R$ 25 mil”, garante Terni Júnior.