Apesar do Brasil ser um país riquíssimo em variedade de frutas, elas não fazem parte dos hábitos alimentares da maioria da população - pelo menos, não como deveriam. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontam que o consumo per capta no País é de 24 quilos por ano. O ideal seria 85 quilos. Ricas em vitaminas, minerais e fibras, as frutas são importantes para a qualidade do funcionamento do organismo. Para especialistas, o baixo consumo se dá pela falta de costume
Dados da Pesquisa de Orçamentos Familiares 2002-2003 feita pelo IBGE destacaram uma série de conclusões negativas. Pelo levantamento, frutas, verduras e legumes correspondem a apenas 2,3% das calorias totais, ou cerca de um terço do que é recomendado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) e Organização para Alimentação e Agricultura. A pesquisa evidenciou que em todo o País e em todas as classes, foram destaques negativos o teor excessivo de açúcar nas dietas e o consumo insuficiente de frutas e hortaliças.
Para a professora do curso de nutrição da Universidade do Sagrado Coração (USC) Rita Cristina Chaim, o brasileiro não tem o hábito de comer esse alimento. “A criança não forma gosto para saborear uma fruta”, observa. Assim, se tornam jovens que não ligam muito para tal prática saudável. De acordo com a especialista, apenas os bebês aceitam todos os tipos de fruta. “Por volta dos 2 anos, quando começa a ficar seletiva, se a criança rejeita uma fruta, os pais não voltam a oferecer”, critica.
É justamente nessa fase seletiva que a criança deve ser apresentada a vários tipos de frutas. “A monotonia da infância, de só comer maçã, banana e pêra, faz com que a criança não descubra outros sabores”, observa.
A falta de hábito de comer frutas também afeta a saúde. “Nutricionalmente falando, isso é péssimo. Elas são fonte de vitaminas e minerais que regulam as atividades orgânicas, deixam o corpo funcionando melhor”, explica. Além disso, elas evitam a formação de radicais livres, que acabam provocando danos às células e podem trazer complicações cardíacas, além de outros problemas. “É como se fosse um pontinho de ferrugem num portão de ferro. Se não cuidar, pode danificar tudo. E as frutas combatem isso”, afirma.
Além disso, frutas são fontes de fibras. “Auxiliam na formação do bolo fecal e ajudam a eliminar o que é mais tóxico do organismo, aquilo que o corpo não conseguiu usar e que se permanecer muito tempo no organismo pode causar patologias”, explica Chaim. “E também as que ajudam a hidratar e não deixar o corpo absorver gorduras e açúcar. Você joga o colesterol fora”, destaca.
Agora, como aumentar a quantidade de frutas na dieta é uma questão de hábito e de gosto. A professora recomenda descobrir as melhores opções para cada um. “O paladar é individual. Saber o que você não gosta da fruta, melhorar a apresentação, pode ser o caminho”, orienta.
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Hábito e custo
Outro dado da pesquisa do IBGE aponta que o efeito do rendimento familiar é evidente sobre a maioria dos alimentos e grupos de alimentos. Quanto maior a renda, maior é o consumo de carnes, leite e derivados, frutas, verduras e legumes, bebidas alcoólicas, condimentos e refeições prontas. Grupos de alimentos com tendência inversa incluem feijão, raízes e tubérculos.
Há 19 anos trabalhando em um minimercado da Vila Universitária, a comerciante Cecília Tobaro concorda que a classe social influencia no hábito de comer esses alimentos. “Na nossa região, os clientes costumam consumir muita fruta. Mas se você procurar em bairros mais afastados, essa quantidade deve diminuir. Talvez, não sobre dinheiro”, pondera.
Sônia Valéria Tavares Zanardi Creppe não dispensa a variedade. “Pelo menos duas vezes por semana eu vou ao mercado comprar frutas”, revela. Ela conta que, todos os dias, a família tem salada de frutas como sobremesa.
“Foi uma maneira que eu encontrei das crianças terem diversidade”, diz, referindo-se aos filhos André, 6 anos, e Augusto, 4 anos. E os meninos adquiriram o hábito. “É difícil recusarem alguma fruta. Sempre compramos laranja, maçã, melancia. E as frutas de época, como morango”, elenca.