11 de julho de 2026
Nacional

Enquanto Bovespa desaba, Mantega vê situação ‘normal’

Por Da Redação | Com Folhapress e Reuters
| Tempo de leitura: 3 min

São Paulo - A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) fechou com sua pior queda dos últimos nove anos, em meio à concretização do pior pesadelo do mercado financeiro: a rejeição do pacote de resgate financeiro orçado em US$ 700 bilhões. Ontem, a Câmara dos EUA não aprovou o pacote, o que deve levar o Congresso americano a reformar o texto acordado anteontem.

O termômetro da Bolsa, o Ibovespa, despencou 9,36% no fechamento e desceu para os 46.028 pontos. O giro financeiro foi de R$ 5,76 bilhões. A queda de ontem chega a superar o pregão registrado no dia 11 de setembro de 2001 - data dos atentados terroristas nos EUA.

No câmbio, o mercado esperou cerca de nove anos para ver uma disparada da dimensão observada ontem: o dólar comercial avançou 6,15% e bateu R$ 1,967 (venda), a cotação mais alta desde setembro de 2007.

Algumas das ações líderes da Bolsa tiveram quedas bruscas de forma pouco vista no pregão brasileiro. A ação da Petrobras, papel mais movimentado da Bovespa, retraiu 8,90%; a ação da Vale do Rio Doce amargou queda de 12,14%.

A Bolsa não registrou qualquer valorização para as 66 ações que compõem o seu principal indicador. No topo das perdas, a ação ordinária da Rossi Residencial sofreu baixa de 21,06%; a ação da BM&F-Bovespa caiu 20,21%, enquanto a ação da Sabesp perdeu 14,91%.

A Bovespa já abriu os negócios de ontem em queda, revelando o desconforto dos investidores com a demora na aprovação do pacote financeiro dos EUA. Em poucas horas, o mercado acionário começou a acelerar o ritmo de queda, sob desconfiança das dificuldades do plano na votação da Câmara, onde se concentravam boa parte dos opositores à proposta da Casa Branca.

Essa desconfiança se confirmou no início da tarde, quando a Câmara efetivamente rejeitou o projeto de lei, gerando pânico no mercado financeiro. Às 14h49, o mecanismo do “circuit-breaker” foi acionado quando as perdas superaram os 10%. A Bolsa retomou os negócios meia-hora depois, sem mostrar recuperação e chegou a afundar 13,8% no pior momento do dia.

Normal

Enquanto a Bovespa registrou mais de 9% de queda e o dólar saltou 6% frente ao real, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou que a situação no País “é bastante normal”. Em entrevista na portaria da sede do Ministério da Fazenda, em Brasília, Mantega reafirmou que o governo segue “acompanhando” os desdobramentos da crise financeira internacional, que teve mais um capítulo ontem, com a rejeição, pela Câmara dos Deputados dos EUA, do pacote de ajuda para Wall Street proposto pelo governo Bush.

“Estaremos acompanhando os acontecimentos, as consequências que essa situação possa ter em relação ao Brasil. Mas eu posso dizer que a situação é bastante normal no Brasil”, afirmou o ministro. O otimismo do ministro contrastava com os dados dos mercados financeiros brasileiro.

O presidente Lula procurou mostrar tranqüilidade diante do aprofundamento da crise financeira global, mas admitiu que a situação é grave e fez um apelo para que os Estados Unidos resolvam a situação. “Estamos tranqüilos, mas sabemos que a crise é grave”, disse Lula a jornalistas na Academia Brasileira de Letras, no Rio de Janeiro. “Está na hora de o Congresso americano e de o governo americano assumirem a responsabilidade que lhes cabe nessa história, ou seja, não permitir que a disputa político-eleitoral que vai se dar em novembro se dê na discussão do plano econômico”, acrescentou Lula.