08 de julho de 2026
Internacional

Pacote é rejeitado e derruba mercados

Por Da Redação | Com Folhapress e Reuters
| Tempo de leitura: 3 min

Washington - Os deputados norte-americanos rejeitaram o plano de ajuda de 700 bilhões de dólares para o setor financeiro em uma votação surpreendente que derrubou os mercados financeiros globais enquanto as autoridades européias atuavam para socorrer bancos atingidos pela crise.

O índice Dow Jones registrou a maior queda em pontos da história o indicador caiu 780 pontos durante o dia. No fim do pregão o Dow Jones ficou com 10.365,45 pontos (perda de 6,98%. O Nasdaq derreteu 9,1 por cento - maior queda percentual diária desde o estouro da bolha das pontocom em 2000. As bolsas latino-americanas despencaram 13 por cento, maior queda em mais de uma década.

Mesmo antes da votação, os mercados asiáticos e europeus mergulharam com temores de que a crise está se espalhando, enquanto o norte-americano Wachovia se tornou o mais recente grande banco a sucumbir à crise.

E os mercados de crédito globais se mantinham congelados apesar de os bancos centrais injetarem bilhões de dólares nos sistema financeiro para persuadir as instituições financeiras a não reter capitais.

“Existe uma quantidade monstruosa de medos lá fora. Este é um contágio global. Não é mais apenas nos Estados Unidos”, afirmou Joe Saluzzi, co-gerente da Themis Traging.

O placar da votação na Câmara dos Deputados foi de 228 votos contrários e 205 a favor do plano de socorro que permitiria o Departamento do Tesouro a comprar ativos podres dos bancos em dificuldades. Deputados republicanos, em particular, impediram o gasto de tanto dinheiro dos contribuintes logo antes das eleições norte-americanos em 4 de novembro.

“Eu não acredito que eles não foram capazes de se reunir e chegar a uma solução. Um desastre completo foi previsto se o projeto não fosse aprovado... e não foi aprovado. , disse Stephen Berte, operador sênior de ativos da Standard Life.

É preciso um novo plano

O secretário do Tesouro dos EUA, Henry Paulson, disse ontem estar desapontado pela rejeição pela Casa dos Representantes (Câmara dos Deputados) do pacote de US$ 700 bilhões para salvamento do setor financeiro. Ele disse que irá trabalhar com o Congresso para chegar a um plano abrangente.

Paulson ressaltou que é preciso “chegar a um texto que todos possam aprovar”. “Precisamos de um plano que funcione, o mais rápido possível”, afirmou o secretário. “Tínhamos um pacote, trabalhamos muito duro, fizemos nosso trabalho e demos todas as nossas ferramentas para que o mercado financeiro ficasse protegido e o povo americano também.”

O secretário afirmou que o sistema financeiro americano “está se portando bem, considerando toda a pressão”. “Muito trabalho já foi feito. Tomamos nas últimas semanas ações essenciais para proteger o sistema bancário e a economia.”

____________________

Opiniões dos candidatos sobre a crise

Nova York - O senador Barack Obama, candidato democrata à Presidência dos Estados Unidos, realizou um pronunciamento com ataques diretos ao governo do presidente George W. Bush apenas minutos depois da notícia de que os deputados americanos tinham rejeitado projeto de lei que previa o destino de US$ 700 bilhões para salvamento do setor financeiro do país.

“O que vimos nas últimas semanas é o veredicto final dessa filosofia. Essa é a conseqüência de oito anos de irresponsabilidade. Está na hora de ter a supervisão de um adulto na Casa Branca. Por isso sou candidato. É hora de virarmos a página”, disse Obama diante de uma empolgada platéia, em um comitê no Colorado.

“O senador McCain seguiu essa filosofia falida por 36 anos, em Washington. Agora ele quer nos dar mais quatro anos disso”, disse Obama.

McCain

Mesmo que os legisladores republicanos é que tenham votado em maioria pela rejeição do projeto (65 foram favoráveis e 133 contra; entre os democratas, foram 140 a favor e 95 contrários), McCain tentou colocar a derrota na conta do rival.O candidato da situação disse que o número de votos contrários foi alto entre os democratas, que costumam aceitar com mais facilidade intervenções na economia, ao contrário dos republicanos, que demonstravam mais resistência.