11 de julho de 2026
Economia & Negócios

Crise exige cautela e distância de financiamento a longo prazo

Patrícia Zamboni
| Tempo de leitura: 4 min

Cautela, tranqüilidade, sabedoria e bom senso. Essas são as principais recomendações de especialistas a todas as pessoas que tenham ou não investimentos relacionados a dólar e ao mercado de ações neste momento de crise internacional. O período é de observação e de exercitar a paciência, já que qualquer atitude precipitada tem grandes chances de gerar resultados negativos. Apesar de tudo, não é hora de tirar ações da Bolsa.

Determinados reflexos ainda não podem ser previstos. Por outro lado, para algumas situações a orientação do economista, professor e delegado do Conselho Regional de Economia (Corecon) Reinaldo Cafeo é bastante clara e objetiva.

“Para quem está planejando uma viagem internacional, por exemplo, o momento não é bom para comprar dólar. As pessoas também não devem fazer agora contratos de financiamento a longo prazo. Certamente a taxa básica (de juros no Brasil) vai subir, e isso vai gerar reflexos nos juros cobrados nas operações de longo prazo. Não se toma decisões importantes em momentos de crise como esse”, adverte o economista.

Quem já está pagando um financiamento de longo prazo, não há motivos para preocupação se o contrato prever juros pré-fixados. Neste caso, eles não poderão ser modificados. Também não é indicada a atitude precipitada de quitar as parcelas que ainda restam. Segundo Cafeo, no momento é melhor garantir uma reserva financeira.

Empréstimos

Segundo especialistas, a cautela nos empréstimos deve durar de seis a nove meses. Não falta liquidez na economia interna, mas as instituições financeiras brasileiras estão com receio de repassar essa liquidez para o consumo e para bancos médios. O problema não é grave no Brasil, mas deve haver uma desaceleração no ritmo de crescimento do crédito. Como conseqüência, as vendas a prazo devem diminuir.

Algumas previsões apontam que o último trimestre deste ano e o primeiro trimestre de 2009 deverão registrar baixa atividade econômica no Brasil. Segundo Cafeo, o crescimento continuará ocorrendo, mas em ritmo mais lento. “É como estar numa rodovia que permite trafegar a 120 quilômetros por hora, mas de repente, vem uma determinação para o limite máximo de 80 quilômetros. Você vai poder continuar transitando por essa rodovia, só que vai demorar mais para chegar ao seu destino”, exemplifica o economista.

Na avaliação de Cafeo, é muito importante que as pessoas não se deixem influenciar e, principalmente, não se desesperem diante da “enxurrada” de novas informações diárias sobre a crise econômica nos Estados Unidos. “Nós temos uma dinâmica própria de recuperação econômica no Brasil. É claro que não passaremos pela crise americana sem ter reflexos na economia brasileira, mas não há motivo para desespero”, observa Cafeo.

Para as empresas exportadoras, por exemplo, a elevação da cotação do dólar terá dois reflexos: um positivo e um negativo. “O positivo é que a cada real exportado, será maior a receita convertida em real. O negativo é que essas empresas podem perder mercado lá fora. Tudo aponta para uma desaceleração econômica mundial, então, haverá mais dificuldade para colocar os produtos no mercado externo”, diz.

Já as empresas que importam, certamente repassarão aumentos ao preço final dos produtos. No momento elas ainda têm estoque de mercadorias compradas com o dólar mais baixo, por isso, há uma tendência de “desova” desses estoques com preços interessantes aos consumidores. Entretanto, no momento de fazer a reposição dos produtos, os valores estarão mais altos.

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Bolsa de Valores: paciência para colher resultados

Experiente no mercado de ações, o corretor Fábio Freire Lara afirma que o momento é de cautela e tranqüilidade. “Ninguém deve se desesperar e tirar suas ações da Bolsa com medo de perdas. Nesse momento, eu buscaria investir em empresas que tenham receitas em dólar e que, na medida do possível, não estejam endividadas em dólar. De maneira geral, as pessoas não têm que se apavorar. O mercado vive de ciclos”, afirma.

Nas palavras de Lara, o momento deve ser encarado como uma “grande liquidação”. “Quando tem uma megaliquidação em uma loja de eletrodomésticos, o pessoal faz fila para comprar geladeira. Na Bolsa, o sentimento é o contrário disso. Se uma empresa tem ações sendo vendidas pela metade do preço que estavam há 15 dias, ao invés de causar desejo de compra, causa pavor. As pessoas têm que se precaver contra esse sentimento e olhar o mercado com calma. Nessas horas aparecem oportunidades.”

Segundo ele, os períodos de queda na Bolsa acabam semeando o mercado. Quem resistir ao temporal, colherá bons frutos. Paciência, nesse caso, é realmente uma grande virtude.