Nova York - Após o susto de anteontem, em que a rejeição do pacote do governo pela Câmara dos Representantes dos EUA espalhou o pânico nos mercados globais, líderes do Congresso acenaram com a hipótese de a medida ser levada a votação no Senado hoje. O aparente avanço animou os mercados, que recuperaram parte das perdas.
Representantes do governo de George W. Bush passaram o dia reunidos com líderes democratas e republicanos de ambas as Casas do Legislativo, em dia que começou com nova declaração pública do presidente sobre a crise, a quinta em cinco dias. “Estou desapontado com o resultado”, repetiu o republicano, ao citar a maior derrota política de seu mandato, “mas garanto aos nossos cidadãos e aos cidadãos do mundo que não é o fim do processo legislativo.”
Na seqüência, líderes da oposição democrata e do partido governista vieram a público reafirmar a disposição de voltar à mesa de negociações e aprovar o pacote até o fim da semana. A medida dá a liberdade de o Tesouro gastar até US$ 700 bilhões em ajuda a instituições com problemas, na maior intervenção da história do país.
“Essa continua sendo nossa meta número 1”, disse o democrata Harry Reid, líder da maioria no Senado, que disse ter passado o dia em conversas com Josh Bolten, chefe de gabinete de Bush.
O presidente falou ao telefone também com os dois candidatos majoritários a sua sucessão, o democrata Barack Obama e o republicano John McCain. “Estamos todos trabalhando juntos para resolver essa questão importante”, disse Reid. Segundo seu colega Christopher Dodd, presidente do comitê de bancos do Senado, os que votaram contra o plano “estão pensando melhor e querem dar mais uma chance.”
De acordo com relatos vindos do Congresso, os gabinetes de muitos republicanos que disseram “não” à medida do governo ontem foram inundados de e-mails e telefonemas de eleitores pedindo que mudassem o voto. “Acho que a mensagem dos mercados de ontem foi clara”, disse o líder republicano do Senado, Mitch McConnell.
Além disso, o governo acenou com a possibilidade de fazer pequenos ajustes na proposta de lei, para acomodar pedidos da base governista. O jogo de cena político daria a justificativa necessária para os congressistas mudarem de idéia sem alienar seus eleitores.
Bolsas
As bolsa norte-americanas fecharam em forte alta ontem, um dia depois da pior queda em 21 anos, à medida que investidores apostavam que Washington irá ressuscitar o plano para estabilizar o setor financeiro após a surpreendente derrota na Câmara dos Deputados.
Segundo dados preliminares, o índice Dow Jones teve alta de 4,68 por cento, a 10.850 pontos. O Standard & Poor’s 500 subiu 5,27 por cento, a 1.164 pontos. O Nasdaq avançou 4,97 por cento, a 2.082 pontos. No mês, o Dow perdeu 6 por cento, enquanto o S&P 500 despencou 9,1 por cento e o Nasdaq afundou 12,1 por cento.
No acumulado do terceiro trimestre, o Dow caiu 4,4 por cento, enquanto o S&P 500 perdeu 9 por cento e o Nasdaq tombou 9,2 por cento.
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Crise derruba números de Bush e McCain em pesquisas
Washington - Em meio a pior crise financeira vivida pelos Estados Unidos desde a Grande Depressão dos anos 30, a aprovação do presidente americano, George W. Bush, atingiu o seu mais baixo índice nos últimos oito anos. Segundo pesquisa Gallup, apenas 27% dos entrevistados aprovam Bush.
O resultado representa uma queda de quatro pontos percentuais desde a pesquisa Gallup anterior, realizada antes do agravamento da crise financeira e do plano de resgate financeiro proposto pela administração Bush para injeção de US$ 700 bilhões para a compra de títulos “podres” (sem liquidez) dos bancos pelo Estado.
A queda é ainda maior se considerar pesquisa similar realizada logo após a Convenção Nacional Republicana, no começo de setembro, que oficializou a candidatura do presidenciável John McCain.
A queda na popularidade de Bush parece estar diretamente relacionada à crise financeira, embora tenha sido realizada antes da Casa dos Representantes reprovar o plano.
Embora a maioria dos americanos concordem que é necessário uma ação do governo diante da crise, apenas uma pequena minoria favorece a legislação proposta por Bush.
McCain
McCain tenta reverter sua posição nas últimas pesquisas de intenção de voto. Não apenas nas pesquisas Gallup, mas na maioria dos institutos, McCain liderava a disputa pela Casa Branca após o anúncio da governadora do Alasca, Sarah Palin. Contudo, a grave crise financeira e as discussões sobre o plano de resgate financeiro proposto pelo governo favoreceram Obama que retomou a liderança que manteve durante os meses de julho e agosto.
Segundo a sondagem diária divulgada pelo instituto Gallup, Obama tem 49% das intenções de voto contra 44% do presidenciável republicano, John McCain.