09 de julho de 2026
Articulistas

Um vice e duas cidades


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Com o golpe do Estado Novo praticado pelo presidente Getúlio Vargas, a Câmara Municipal que elegera 11 vereadores em 1936 e escolhera indiretamente o médico Bráulio Ferraz, vereador eleito, para ser o prefeito, foi fechada com o golpe do Estado Novo. Ernesto Monte foi designado em 23 de abril de 1937 para ser prefeito, ficando no Poder até 21 de março de 1947, data de sua exoneração. Antes de 1936, foram prefeitos nomeados com curtos mandatos: Sebastião Lins (outubro de 1932 a março de 1933; Arthur de Moraes Goyano (março a agosto de 1933; José Aparecido Guedes de Azevedo (setembro de 1933 a agosto de 1934; Waldemar G. Ferreira (setembro de 1934 a abril de 1935 e João Silveira do Prado de março de 1935 a maio de 1936. O Executivo reinava.Após Monte, no período de transição até a posse dos eleitos em 1947, o juiz Leandro Duarte de Almeida respondeu como prefeito durante uma semana de março e Rafael Oberdã de Nicola o período conseqüente até os eleitos tomarem posse.

Somente em 1948 a Câmara foi reaberta. Os mesmos militares que conduziram Getúlio ao Poder, fizeram dele descer. Afinal, os pracinhas brasileiros vinham de uma guerra onde foram defender a democracia e voltavam para um país de governo ditatorial. Uma contradição que precisou ser extirpada.

Houve eleição municipal em 15 de novembro de 1947 e 29 cidadãos foram eleitos para a Câmara. Embora pela primeira vez respiravam-se ares democráticos no Município, um golpe sujo ainda atingiu o Legislativo bauruense e de muitas outras localidades. Sob o efeito da “guerra fria”, o governo federal, comandado pelo general Eurico Gaspar Dutra, engendrou um plano no qual cassou os supostos comunistas, segundo ele, aquartelados em partidos de esquerda, visto que o Partido Comunista estava na ilegalidade.

Assim, antes da posse dos vereadores locais foi cassado como comunista, o eleito Manoel José Donato, do Partido Social Trabalhista. Na recomposição dos votos, para o seu local foi eleito o integralista Alberto Quércio, do Partido de Representação Popular.

Primeira experiência depois de tantos anos de exceção, o sistema eleitoral destinou todas as sobras de votos para o partido mais votado. Assim, o Partido Social Democrático ficou com 12 cadeiras, a Aliança do Partido Trabalhista Brasileiro com o Partido Social Progressista com 6; a União Democrática Nacional 5; o Partido Socialista Brasileiro 2, o Partido Trabalhista Nacional 2; o Partido Republicano, pelo qual o prefeito eleito, Dr. Octavio Pinheiro Brisolla postulou a candidatura, elegeu somente 1 e o P.R.P. 1.

Nessa eleição não foi prevista a eleição do vice-prefeito. Como partido majoritário, o P.S.D. conseguiu manter sob seu domínio a Mesa da Câmara, durante a Legislatura. No âmbito político e administrativo, não houve entre os partícipes incidente de maior monta, que merecesse ser comentado. O mundo tinha saído da 2ª Guerra Mundial e o esforço maior era a readaptação de todos às mudanças daí decorrentes.

No pleito seguinte, realizado em 14 de outubro de 1951, foi prevista a eleição de vice-prefeito, num sistema descasado, isto é, o eleitor poderia votar no candidato a prefeito de um partido ou coligação e o vice de outro. O médico Nuno de Assis, do Partido Social Progressista, foi eleito prefeito e o professor José Ranieri, da coligação P.S.P./Partido Trabalhista Brasileiro, foi o vice. Curiosamente, o P.T.B. tinha postulante ao cargo de prefeito, João Simonetti, fato que, no entanto, não impediu a esquisita composição que conduziu Ranieri ao cargo.

Entre Nuno e Ranieri reinou a harmonia, exceto na construção da Avenida dos Expedicionários, atual Castelo Branco, na Vila Independência até as margens do Rio Batalha, feita pelo vice durante a semana em que o titular viajou aos Estados Unidos. Do outro lado do rio Batalha, o prefeito de Piratininga, médico Antonio do Espírito Santo, também acelerou no projeto de fazer a estrada nova ligando aquela cidade a Bauru.

Nuno, para não contrariar interesses de amigos comuns, evitava fazer essa estrada, que deslocaria o movimento da região para seu eixo. E, em 2 de junho de 1954, o vice-prefeito de Bauru em exercício e o prefeito de Piratininga, com a presença de inúmeras autoridades dos dois municípios, inauguraram em cima da ponte do Batalha, a estrada de terra hoje plenamente asfaltada, principal via de comunicação entre as duas cidades. Prosseguirei com o tema.

O autor, Irineu Azevedo Bastos, é colaborador de Opinião