08 de julho de 2026
Turismo

Eu Estive lá: Serra da Canastra

Olício Pelosi, Denise Joaquim, Márcia Malmström e Jan Malmström*
| Tempo de leitura: 4 min

Ecoturismo e fotografia. Foi com este propósito que quatro integrantes do Fotopoint aceitaram participar de um Workshop Fotográfico no Parque Nacional da Serra da Canastra, coordenado pelo fotógrafo campineiro Sérgio Assis.

Nosso grupo, formado por Olício Pelosi, Denise Joaquim, Márcia Malmström e Jan Malmström, saiu de Bauru no início da noite do dia 18 de julho, sexta-feira, rumo a São Roque de Minas (MG) e lá se juntou a outros quatro apaixonados por fotografia. Apesar da distância de 530 quilômetros, percorridos em cerca de sete horas, a viagem foi muito tranqüila e chegamos à Pousada Casca D’Anta por volta das 2h.

Na manhã do dia seguinte tivemos a oportunidade de conhecer a primeira grande atração da região: o queijo meia-cura, delicioso!

Devidamente alimentados e munidos de todos os equipamentos necessários - máquina, lentes, tripé, bonés, lanches e muita água e protetor solar -, partimos rumo ao parque. São Roque de Minas é o município mais próximo da entrada do parque e é de lá que o Ibama administra toda a reserva.

O parque foi criado em 1972 com o objetivo de proteger as inúmeras nascentes dos rios da Canastra, entre eles o rio São Francisco. A origem do nome vem da semelhança da serra com o que os antigos habitantes chamavam de canastra, no caso uma espécie de baú.

A Serra da Canastra é na verdade um conjunto de montanhas que começa próximo à cidade de São Roque de Minas e vai até a Serra das Sete Voltas (próximo a Delfinópolis). Entre esses dois maciços (Serra da Canastra e a Serra das Sete Voltas) está o Vale dos Cândido. Sua altitude máxima é 1.494 metros.

A vegetação típica do parque é o cerrado, composto por árvores baixas, de galhos retorcidos e casca grossa. Os animais são uma das maiores atrações da Serra da Canastra, especialmente na área do Parque Nacional. A fauna típica da região reúne várias espécies ameaçadas de extinção, como o tamanduá-bandeira, o lobo-guará e o veado-campeiro, tatu-canastra, cachorro-do-mato, seriema, ema, gavião carcará, entre outros.

A portaria do parque dista 6 quilômetros da cidade e foi lá nossa primeira parada para o cadastramento. Em seguida, partimos de caminhonete rumo à nascente do rio São Francisco. Na estrada que atravessa o parque, por cima está localizada a primeira ponte sobre o rio e o marco de sua nascente.

Esse marco é uma imagem de São Francisco de Assis. Diz o folclore da região que a imagem desce do pedestal em noites de lua cheia para curar os animais feridos. Na placa abaixo da imagem está gravada a oração de São Francisco.

Os filetes d’água vão se juntando e, aos poucos, o rio ganha a sua configuração, seguindo rumo nordeste e banhando uma região marcada pela seca. Foi uma parada breve, já que tínhamos muito a conhecer em apenas dois dias!

As cores da paisagem não deixavam dúvidas: estávamos em período de seca. Cor de tijolo vermelho e areia do caminho misturada ao azul infinito do céu. Seria difícil convencer os amigos de que nossas fotos não passaram pelo Photoshop; ainda bem que a natureza nos brindou com algumas nuvenzinhas!

Seguimos caminho até o Curral das Pedras, que são ruínas de uma antiga fazenda, toda feita em pedra, onde sobraram os velhos currais de gado. Depois, partimos para conhecer a maior de todas as atrações, a Cachoeira Casca D’Anta.

Na parte alta, as quedas que descem o cânion adentro formam grandes poços de águas bem tranqüilas, porém geladíssimas. Impossível não pensar em dar vários mergulhos e observar os peixes, que já estão acostumados ao movimento. Subimos para a parte alta do cânion, de onde tem-se uma bela vista dos maciços da Canastra e da Babilônia do ponto mais alto da trilha.

Agora era hora de iniciar nosso caminho de volta à pousada, não sem antes contemplarmos o pôr-do-sol na nascente do rio São Francisco. Nosso primeiro dia na Serra da Canastra havia sido maravilhoso! E ainda tivemos disposição para alguns poucos drinks e muita conversa no Restaurante Girassol.

O roteiro do dia seguinte incluiu a Cachoeira do Fundão, distante uns 50 quilômetros da entrada do Parque. Além da distância percorrida sob muito pó, o caminho de quase 2 quilômetros à pé até a cachoeira é muito perigoso e cansativo. Mas valeu a pena todo o esforço porque o lugar é mesmo deslumbrante!

E, na volta, um almoço típico na fazenda que abriga a cachoeira do Fundão; tutu de feijão, carne seca, frango, tudo feito no fogão à lenha. E café passado no coador de pano, sabor de infância!

Nesses dois dias de passeios, ainda tivemos a oportunidade de ver o gavião carcará, o tamanduá, a siriema e diversos pássaros.

Na volta para Bauru, uma única certeza: conhecer a Serra da Canastra numa expedição fotográfica foi uma opção pra lá de acertada! Valeu!

* Fotógrafos, integram o grupo Fotopoint.