A chapa de situação “Democracia e Luta – Conlutas” derrotou a concorrente “União dos Servidores”, ligada à Central Única dos Trabalhadores (CUT), na eleição de renovação da diretoria do Sindicato dos Servidores Municipais de Bauru (Sinserm). O novo mandato é de quatro anos. A futura diretoria toma posse em janeiro de 2009.
O clima ficou tenso na madrugada durante a apuração, anteontem, porque não foi permitida a permanência de militantes da chapa 2 na sede do sindicato. O grupo ligado à atual diretoria obteve 703 votos (55%) contra 589 (44%) da chapa concorrente.
O sindicato representa Bauru e mais 11 municípios da região. Ao todo são 2.336 filiados, mas votaram 1.292. A eleição foi realizada em três dias com oito urnas volantes que foram buscar os votos de filiados de Bauru, Cabrália Paulista, Avaí, Pirajuí e Balbinos. Quatro urnas foram fixas.
O orçamento anual do Sinserm em 2008 é de R$ 330 mil. O sindicato é dirigido por um colegiado, ligado à Conlutas, central sindical do Partido Socialista dos Trabalhadores Unificados (PSTU). O grupo comanda a entidade há mais de 10 anos.
A chapa concorrente é dissidência da atual diretoria com apoio da CUT local e do PT. O desentendimento ocorreu em 2006, após o fim de uma greve de 24 dias que paralisou atividades das Secretarias de Saúde e Educação. Os integrantes da “União dos Servidores” alegaram discordar do “radicalismo” do grupo ligado ao PSTU.
Tensão na madrugada
A chapa de oposição reclamou de não poder acompanhar de perto a apuração da eleição na madrugada de ontem na sede do Sindicato dos Servidores de Bauru (Sinserm), na rua Saint Martin, 14-38.
O clima ficou tenso por volta das 23 horas de quarta-feira quando começou a chover forte. Um grupo de militantes ligado a chapa 2 queria entrar na sede do sindicado, mas as portas estavam fechadas. A direção do Sinserm alegou “questão de segurança” para não permitir a entrada dos militantes da oposição.
O coordenador local da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Francisco Wagner Monteiro, reclamou da atitude do Sinserm. “Nunca vimos isso em sindicato de direita e nem na época de ditadura militar. É deixar o trabalhador e a sociedade de fora da apuração”, alegou Monteiro.
Ele afirmou que, mesmo sendo permitido três representantes da chapa de oposição acompanhar como fiscais a junta apuradora, o número não era suficiente, porque dentro do sindicato ficou a atual diretoria e advogados.
A sede do sindicato foi fechada depois das 19h30, quando chegou a última urna. Os militantes da chapa 2 reclamaram que não puderam se abrigar da chuva próximo à garagem do sindicato. “Pedimos a liberação da garagem e não liberaram, alegaram que lá havia patrimônio a ser preservado. Ficamos indignados com a atitude do Sinserm”, declarou Monteiro.
A Polícia Militar foi ao local acionada pela atual diretoria, mas não houve confronto. A diretora do Sinserm, Idelma Corral, acusou a chapa de oposição de tumultuar a apuração, porque por três vezes foi desligada a energia elétrica do prédio. O relógio de medição ficava do lado de fora.
Ela acusou a oposição de “forçar a barra” para entrar no sindicato. “O que ficou decidido tem que ser cumprido. Eles queriam invadir o sindicato. Eles estavam em maior número”, disse Idelma.
A apuração das 12 urnas atrasou devido às discussões sobre quantas pessoas acompanhariam a apuração. O resultado da eleição só foi conhecido por volta das 4h30 de ontem. Até o fechamento desta edição, não havia informação se o resultado teve ou não contestação.