10 de julho de 2026
Polícia

Policiais civis descartam suspender a greve para negociar com governo

Por Marcelo de Souza | Com Ieda Rodrigues
| Tempo de leitura: 4 min

O governo estadual tentou mais uma cartada para acabar com a greve na Polícia Civil, que em Bauru já dura 24 dias. Mais uma vez sem sucesso. Para piorar, os policiais acusam o governo de retaliação, intimidação e de espalhar mentiras para a população. O governo propôs que os policiais voltem ao trabalho imediatamente para retomar a negociar na próxima semana. Ontem, em Bauru, os grevistas que rechaçaram a proposta, se concentraram em frente à Câmara Municipal.

De acordo com o delegado regional do Sindicato dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo, Edson Cardia, o governo pediu um voto de confiança e ofereceu 4,5% de reajuste, a extinção da 5a e 4a classes e aposentadoria especial. No entanto, as propostas não foram apresentadas oficialmente e a negociação foi condicionada ao fim da greve, o que foi rechaçado pela categoria.

“Nós fizemos uma contraproposta: não vamos parar o movimento e queremos que eles coloquem isso no papel. O governo nos afronta, nos ofende e nos ameaça”, disse. Cardia aproveitou ainda para repudiar as declarações do secretário da Casa Civil, Aloysio Nunes Ferreira, de que os policiais partidarizaram a greve ao ter apoio da Central Única dos Trabalhadores (CUT), que é ligada ao PT.

O delegado sindical afirmou que a CUT não está por trás da greve, mas ao lado dos grevistas e o único suporte dado foi emprestar uma caixa de som para que os policiais fizessem a assembléia. “Não vamos partidarizar a greve, ao contrário do que eles dizem, mas vamos endurecer”, ressaltou.

O sindicalista afirmou ainda que, se o governo continuar intransigente, a greve vai continuar. Por outro lado, Cardia afirmou que os policiais vão garantir o bom andamento das eleições no domingo. De acordo com ele, em respeito ao estado democrático de direito, no domingo a greve não será suspensa, mas os casos referentes à Justiça Eleitoral serão atendidos normalmente.

“Nós vamos atender a população normalmente e estaremos à disposição dos juízes e da Justiça Eleitoral, como se não houvesse greve. Com relação aos outros casos, continua como está”, frisou.

Passeata

Os policiais civis prosseguem com as manifestações por reajuste salarial. Hoje, a partir das 11h, policiais da região se encontram em Bauru para uma passeata, que sairá de frente da Delegacia Seccional. São esperados 500 policiais para o ato, que servirá como protesto e, ao mesmo tempo, tentativa de sensibilizar o governo, mostrando que os policiais estão descontentes com a postura do governo do Estado.

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Campanha da PM

Em visita a Bauru ontem para falar da campanha salarial dos policiais militares, Hélio César da Silva, presidente da Associação dos Subtenentes e Sargentos da Polícia Militar do Estado de São Paulo (ASSPM), defendeu estratégia de negociação diferente da usada pelos policiais civis.

Para Silva, o governo abriu as portas de negociação, mas a Polícia Civil entendeu que era o momento de fazer greve. “Apesar da greve da Polícia Civil, para nossa categoria o governo não fechou as portas”, disse ele que acha que a paralisação deve ser o último recurso.

Porém, entre o efetivo da PM, muitos soldados, cabos e sargentos apóiam a greve dos policiais civis. Por serem proibidos por lei de paralisar as atividades e participar de protesto por reajuste, eles estão convocando seus familiares para participarem do protesto dos policiais civis marcado para hoje pela manhã em Bauru.

“Nós estamos há 12 anos sem reajuste. Não adianta achar que o governo vai negociar com a Polícia Militar porque não vai. Vai acontecer o que aconteceu com os policiais civis”, disse um cabo ouvido pela reportagem que preferiu não ter seu nome divulgado por temer represália. “Como não podemos participar, nossos familiares vão integrar o protesto dos policiais civis amanhã (hoje) inclusive com faixa”, disse.

Enquanto isso, o presidente da Associação dos Subtenentes critica a postura dos policiais civis na negociação salarial. “Nós recebemos proposta da Polícia Civil de acabar com a paridade de reajuste, que hoje é extensivo às duas polícias. Os delegados pleiteiam equiparar a carreira à do Ministério Público, o que trará prejuízos a nossos oficiais e nós não aceitamos isso”, completou.

Sobre a campanha salarial da PM, Silva ressaltou que o governo está estudando o índice de reajuste – a proposta atual seria de 7%, além da incorporação gradativa de adicional pago ao pessoal da ativa e extensão do benefício aos inativos e pensionistas, além do plano de carreira dos policiais.