Washington - Após exercer efeito inicial positivo sobre o eleitorado, a candidata à Vice-Presidência pelo Partido Republicano, Sarah Palin, está puxando para baixo sua chapa, encabeçada por John McCain, aponta uma pesquisa do jornal “Washington Post’’ e da rede ABC News.
O levantamento foi divulgada ontem, antes do debate da governadora do Alasca com o senador Joe Biden, vice na chapa democrata.
Segundo a pesquisa, 60% dos eleitores ouvidos acham que Palin prescinde de experiência para exercer a Presidência e um terço diz estar menos inclinado a votar em McCain por causa dela. Os temores se tornam mais relevantes devido à idade avançada do candidato republicano, que tem 72 anos.
Menos da metade dos 1.070 eleitores registrados ouvidos (46%) acham que Palin “compreende questões complexas”. Já Biden é visto como apto em temas mais densos por 75%.
O índice de aprovação de Palin há um mês, no levantamento do “Post’’, era equiparado ao de McCain e ao do candidato democrata, Barack Obama. Mas caiu com a crescente exposição da governadora na mídia.
Debate decisivo
Na noite de ontem, os candidatos a vice se enfrentam em um único debate antes das eleições de 4 de novembro. O confronto traz a oportunidade da republicana Sarah Palin refazer sua imagem após seqüência de gafes, mas também o risco de uma queda da chapa republicana nas pesquisas.
“O debate pode ser fundamental para a campanha republicana. Palin pode se mostrar uma grande debatedora ou um fiasco. E se ela fracassar, John McCain verá uma queda ainda maior e talvez irrecuperável nas pesquisas”, afirma Howard Rosenthal, professor de política da Universidade de Nova York.
Embora reconheça o grande investimento republicano no preparo de Palin para o confronto, ele ressalta que o debate é um cenário promissor para gafes que podem mudar a imagem do candidato para os eleitores. “Debate é sempre um evento imprevisível, há vezes que a audiência fica histérica com o desempenho dos candidatos, mas há vezes em que simplesmente não parecem se importar. Será interessante assistir.”
Gafes
Além de enfrentar as câmeras Palin tem ainda o desafio de mostrar que é mais articulada e preparada do que demonstrou nas poucas entrevistas que concedeu. “Palin está vindo de entrevistas difíceis para ela, ela não mostrou muito conhecimento sobre o mundo e sobre questões importantes para um vice-presidente. Ela precisa mostrar que pode se manter em um debate e, principalmente, que pode ocupar a Presidência.”
Nas entrevistas, ela não conseguiu descrever a doutrina do presidente George W. Bush em assuntos internacionais, pediu que vítimas de estupro e incesto não façam aborto e aparentemente endossou a postura do democrata Obama de perseguir terroristas da Al Qaeda no Paquistão.
Democrata
Uma análise das atuações de Biden em debates anteriores mostram que ele tem grande domínio de inúmeros assuntos, refletindo suas quase quatro décadas em Washington, onde é presidente do Comitê de Relações Externas do Senado.
O maior perigo para Biden no debate seria seu hábito de falar de forma autoritária, como dono da verdade, dê a impressão de que ele é ditatorial ou arrogante, particularmente em relação a alguém como Palin, que tem pouca experiência. Para evitar soar machista, ele tem treinado com a governadora Jennifer M. Granholm de Michigan no papel de Palin.