Estamos diante de mais uma eleição. Mesmo sem grandes comícios, rompantes ideológicos e sem tanta sujeira, pelo menos nos postes e ruas, acontece a festa da democracia. Talvez seja um dos únicos momentos em que, num país de gritantes diferenças, sejamos iguais. Cada voto, do rico ou do pobre, do letrado ou do analfabeto, do alienado ou do consciente, vale a mesma coisa. Então é preciso valorizá-lo, no mais nobre dos sentidos. É de nossa responsabilidade fazer bom uso desse voto, porque ele pode mudar toda a vida de uma cidade. E isso diz respeito a todos, não apenas à mera vontade do ilustre eleitor.
Conhecer, avaliar e decidir em quem votar é um ato individual, mas de conseqüência coletiva. Escolher quem merece essa confiança deve exigir de nossa parte uma atenção bem maior do que aqueles poucos segundos gastos entre digitar um número e acionar a tecla “confirma”. Armazenamos ali, naquela urna digital, mais do que votos, depositamos sonhos. Sonhos de quem quer melhorar a vida, e de tantos que querem tornar mais justa a vida de muitos. E nunca é demais lembrar que numa democracia avançada, como a que o Brasil está buscando construir, existe uma coisa muito legal: quando escolhemos com critérios que façam jus às nossas esperanças, nunca perdemos o voto; mesmo que o nosso candidato não vença.
É certo que escolher um candidato não é uma tarefa fácil; tantas são as armadilhas que quando percebemos, lá se vão mais quatro anos. E quanto pior o eleito, mais longo torna-se o tempo. Mas, penso, que uma boa maneira de escolher alguém para eleger é perceber como ele elege você. Caso ele queira te comprar agora, não importa como, ele vai te rifar depois. E quem pagará a conta será você, e eu também, para nosso azar. E se o candidato for evasivo? Fuja dele! Um candidato tem que tomar partido, sim. Como o próprio nome diz, um partido deve apresentar claramente de que lado está frente a temas que tratam do interesse público. É preciso que fique bem claro pra você o que o seu candidato fará quando, de fato, te representará na vida pública. Mas não confunda propostas com promessas, essas últimas podem ser frustrantes. Talvez, por isso mesmo, tanta gente não goste da política, e dos políticos.
A política é necessária, e é um bem, acredite. Por mais absurdo que possa soar aos nossos ouvidos ou à nossa razão, arrisco dizer que seja uma das mais importantes invenções da vida em sociedade. O que estraga é o uso que fazemos dela. Quanto mais uma nação sofrer com a desigualdade, como é caso da nossa, mais o poder público, e o compromisso ético de suas lideranças, tem um papel intransferível de ajuste de rotas para um equilíbrio mínimo. Não somos todos iguais, mas todos temos o direito de materializar as tão sonhadas sensações de paz, dignidade e felicidade. Quanto mais equilibrada transformar-se essa sociedade, no âmbito social, humano e econômico, menos oportunidade terá o estado de meter o bedelho em nossas vidas. E, quem sabe, um dia prescindiremos de governos, líderes e heróis e transformaremos todo o nosso amontoado de leis, normas e regras numa simples recomendação: sejamos felizes!
O autor, Luís Victorelli, é jornalista, e-mail: lvbauru@gmail.com