O professor de geopolítica e de Realidade Socioeconômica da Universidade do Sagrado Coração (USC), Sebastião Clementino da Silva, o “Macalé”, aponta a superficialidade da discussão do Plano Diretor como a maior omissão dos candidatos na campanha eleitoral. Os municípios brasileiros, com mais de 20 mil habitantes de todo o país, foram obrigados a aprovar uma lei que determina as regras do desenvolvimento urbano.
Para Clementino, nesta eleição prevaleceu quem melhor se comunicou do que o “vendedor de politicagem”.
Jornal da Cidade – Como o senhor avaliou as eleições municipais deste ano?
Sebastião Clementino da Silva – Do ponto de vista político teve a ideologia partidária das legendas ligadas ao Presidente da República e ao governo do estado. Acho que foi o carro chefe para determinar o futuro vencedor. O candidato teve que ter forte poder de persuasão, embora tenha sido uma campanha que exigiu muito o corpo-a-corpo junto ao eleitorado. Mas se saiu bem quem teve facilidade de comunicação e de expressão. Nos debates isso ficou claro no candidato que soube se comunicar bem com a platéia e com a mídia.
JC – Isso se diferencia em relação ao último pleito municipal?
Clementino – Se diferencia porque não teve na eleição o showmício e nem o vendedor de politicagem. Foi necessário demonstrar a capacidade de argumentação.
JC – As novas regras eleitorais forçaram a mudança no comportamento?
Clementino – Antes o candidato era vendido como produto. Nesta eleição valeu o poder de influência. O candidato teve que saber fazer a leitura do processo eleitoral, da votação e entender o eleitorado. Sem esse entendimento não tem capacidade de argumentação.
JC – Existiu a federalização da eleição. No pleito municipal se discute mais os problemas da cidade, mas tanto o presidente Lula como o governador apareceram nos programas eleitorais?
Clementino – Ocorreu por falta de argumentação e propostas genéricas. Nesta eleição se discutiu de maneira superficial o Plano Diretor. Em nenhum momento foi o carro-chefe para determinar o crescimento da cidade. A questão que mais esteve presente foi a falta de asfalto nos bairros e problemas da área de Saúde.
JC – Os candidatos recorreram a questões pontuais por ter sido cobrado pelo eleitor?
Clementino – Pela facilidade o assunto teve destaque nas eleições anteriores. Esses assuntos são necessidades em qualquer gerência administrativa – o prefeito é um pouco disso.
JC – A privatização foi um tema discutido?
Clementino – Foi devido ao problema que enfrenta o neoliberalismo americano, porque determinada atividade do Estado com finalidade social na mão do lucro pode não ser bom às camadas mais populares. Nos Estados Unidos está se discutindo no momento se o governo tira dinheiro do povo para socorrer banqueiros.
JC – A campanha foi ideológica?
Clementino – Não, a ideologia foi discutida de forma maniqueísta (o bem contra o mal). A candidata do PSOL é a que teve essa característica, porque o partido busca essa imagem de defender uma política mais social.