09 de julho de 2026
Regional

Cores dão tom da campanha em Espírito Santo do Turvo

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 3 min

Espírito Santo do Turvo - A disputa eleitoral em Espírito Santo do Turvo (75 quilômetros de Bauru) é colorida. Sem poder pintar os muros, os dois partidos que disputam o cargo máximo do Executivo municipal usam de muita criatividade e adotam bandeiras com a cor predominante da coligação. Quase 100% das residências exibem uma bandeira e, conseqüentemente, declaram seu voto.

Os simpatizantes das bandeiras amarelas acham que têm mais, sinônimo de maioria dos votos. Os bandeiras vermelhas explicam que eles estão instalando mais de uma bandeira por casa, por isso acham que ganharão a eleição. Conclusão: a cidade está toda vermelha e amarela.

A falta de concordância entre os simpatizantes é o que move a disputa na cidade. Até a “paternidade” das bandeiras é motivo de discórdia. Os bandeiras vermelhas garantem que quem começou com a instalação delas foi o “Paulão” do PT. Os bandeiras amarelas dizem que foi o comerciante Marcos Aurélio de Oliveira, um simpatizante do PSDB.

Segundo Oliveira, estão instaladas no município aproximadamente 300 bandeiras amarelas, o que significaria cerca de 10% do eleitorado, uma vez que Espírito Santo do Turvo conta com, aproximadamente, 3.150 eleitores. Ele admite que na casa dele foram instaladas três bandeiras.

Pelo lado dos bandeiras vermelhas, o Paulão não foi encontrado, mas a mulher dele, Luzia de Fátima Araújo, garante que no total foram instaladas mais de 300 bandeiras. Ela frisa que foi instalada somente uma em cada domicílio. Para ela, a bandeira de maior destaque está na casa dela. “Tem mais de três metros de comprimento e pode ser vista de vários locais, uma vez que minha casa fica no alto.”

A petista garante que foi o marido que trouxe a idéia das bandeiras para a cidade. “Na eleição passada, ele viu em outra cidade e nessa resolveu adotar. Nós fizemos essa bandeira. Foi o Paulão que cortou o bambu. Depois, os outros começaram a pedir bandeira e o partido mandou o tecido. Algumas simpatizantes pintaram o número, nome e o símbolo do partido.”

O tucano Oliveira diz que a colocação das bandeiras nasceu da necessidade de declarar voto e tentar influenciar o eleitor. “Sem muro para pintar, eram usados banners que ficavam nas residências, mas a visualização era complicada. As bandeiras são fáceis de serem vistas, ficam no alto.”

O aposentado Antonio Jair Manfrim aposta que o partido que está perdendo instala mais bandeiras em um só imóvel. “É para impressionar.” A dona de casa Eliane Cristina Lima de Oliveira acha que instalar a bandeira em casa é sinônimo de escolha de partido. “Em casa, meu marido instalou a bandeira porque já escolheu o candidato e são três votos.”

Lados opostos na eleição

O lavrador Antonio da Silva, conhecido por Tinoco, deixou para a última hora para instalar sua bandeira. Ontem, ele amarrou o bambu com a bandeira na ponta. Petista, ele estava feliz por declarar seu voto.

Há dois anos, Leila Cristina Ferreira mora na casa ao lado da dele. As famílias são tão amigas que nem muro tem para dividir os imóveis. “Quando falta alguma coisa em casa, um açúcar, ela me socorre e vice-versa. Nessa eleição, eles são amarelos, mas continuamos amigos”, garante Tinoco. Leila confirma a tese. “A amizade fica, porém, cada um tem seu candidato. Isso é democracia.”