09 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

O manifesto palhaço


| Tempo de leitura: 1 min

Graças à parca democracia, podemos nos vestir de palhaço em frente à seção eleitoral sem ser presos. Graças a essa (embora limitada) democracia, este jornal pode também publicar a opinião divergente de jovens inconformados com a atual realidade do País e da cidade de Bauru sem risco de ser empastelado. Graças à pequena democracia que temos, o anonimato de nosso ato é uma opção e não uma obrigação. Entretanto, nos vestimos de palhaço neste dia de eleição e brincamos com os eleitores fingindo apoiar um candidato fictício para denunciar as limitações de nossa democracia e despertar a reflexão.

Somos a favor do voto, mas acreditamos que os poucos segundos que passamos votando não garantem que a voz do cidadão seja ouvida.

Há prostituição infantil, fome, miséria, filas nas unidades de saúde, gente sem escola e sem emprego, tudo isso em Bauru. Tudo isso longe dos olhos dos poderosos que comparecem à periferia e se aproximam do cidadão somente nos tempos de eleição e depois abandonam os mais necessitados. O cidadão acaba sendo feito de palhaço. Citando Al Smith: “Todos os males da Democracia se resolvem com mais democracia”, com o povo podendo, de verdade, decidir os rumos da sociedade.

Os Palhaços - Os palhaços se mantêm anônimos, mas são trabalhadores, estudantes, eleitores, cidadãos