08 de julho de 2026
Nacional

Aplicar em dólar não é recomendado

Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

São Paulo - A disparada do dólar não resultou em elevação na procura por fundos cambiais. Pelo contrário. A categoria encerrou setembro com saques líquidos de R$ 65,5 milhões, segundo a Anbid.

Com o dólar em níveis que não se via há mais de um ano, os fundos cambiais foram a categoria que mais rendeu em setembro: 16,51%. Mesmo assim, não atraíram investidores, como ocorreu em outros momentos de crise e pressão no câmbio.

Os fundos cambiais não dão exatamente o retorno da moeda estrangeira em determinado período. Isso acontece porque suas carteiras não são formadas apenas por dólares, mas carregam títulos públicos atrelados à moeda estrangeira e aplicações em papéis cambiais negociados na BM&F (Bolsa de Mercadorias & Futuros). De qualquer forma, a rentabilidade da categoria se mostrou imbatível no mês passado.

William Eid Júnior, coordenador do Centro de Estudos em Finanças da FGV, diz que, mesmo com a escalada recente do dólar, aplicar na moeda não é mais uma opção interessante. “Dólar não é investimento. Há tempos as pessoas aplicavam em dólar, mas o mercado de fundos não oferecia alternativas como as de hoje.”

Apenas a quem vai viajar ou terá despesas em moeda estrangeira no futuro costuma ser recomendado adquirir dólares ou tentar fazer alguma espécie de seguro contra as oscilações -como aplicar em um fundo cambial.

O dólar encerrou a sexta-feira vendido a R$ 2,046, em seu mais elevado patamar desde abril de 2007. Em setembro, a moeda norte-americana sofreu valorização de 16,45% diante do real. Desde a crise do período pré-eleitoral de 2002 não se via uma alta tão expressiva da moeda em um mês. Em 2002, o dólar chegou a encostar em R$ 4, em meio às dúvidas que rondavam o futuro da economia brasileira com a eleição de Lula à presidência.

A moeda americana iniciou agosto em torno de R$ 1,56. Mas não conseguiu se sustentar em patamar tão baixo. A piora na crise internacional elevou a especulação contra a moeda brasileira e chegou a fazer com que o Banco Central vendesse dólares no mercado, como forma de atenuar a pressão sobre as cotações. O dólar registra apreciação de 15,14% diante do real no acumulado de 2008.

O patrimônio dos fundos cambiais está atualmente em R$ 721 milhões, o que representa apenas 0,06% do total da indústria de fundos. Em 2001, a categoria chegou a responder por 2,5% do total, com patrimônio superior a R$ 12 bilhões.