08 de julho de 2026
Nacional

Renda fixa é alternativa para crise

Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

São Paulo - O último trimestre do ano começou com o mercado financeiro ainda sob o turbilhão de incertezas e temores com o futuro da economia mundial que têm tirado o sono dos investidores. Com a Bolsa em seus menores patamares em quase 19 meses e os sinais de que os juros não devem continuar em alta por muito tempo, não faltam dúvidas sobre onde é melhor colocar as economias.

Tem sido comum ouvir nas últimas semanas analistas afirmarem que a Bolsa de Valores está barata, com muitas ações exageradamente depreciadas. Todavia, o mercado acionário a cada dia parece disposto a testar um novo piso.

Do lado dos investimentos que pagam juros, os Certificados de Depósito Bancário (CDBs) têm se destacado nos últimos meses e prometem manter o fôlego. Como os bancos têm tido dificuldades para captarem recursos - que necessitam para repassarem para o crédito -, podem se ver forçados a elevarem mais as taxas que pagam nos CDBs, como forma de atrair aplicadores.“Se o investidor entender que aplicações no mercado acionário são para o longo prazo, então podemos afirmar que a Bolsa está barata. É fato que as crises passam, algumas duram mais outras menos. E uma crise também pode ser encarada pelo lado das oportunidades que abre”, diz William Eid Júnior, coordenador do Centro de Estudos em Finanças da FGV.

O índice Ibovespa acumula perdas de 30,3% no ano. Algumas ações tradicionais têm depreciação ainda maior em 2008: o papel PNA da Vale amarga queda anual de 42,4%, e a ação ON do Banco do Brasil tem baixa de 35,4%.

Apesar de as perspectivas para essas empresas serem boas, ninguém pode afirmar nesse momento crítico quando seus papéis irão se recuperar. O máximo que se diz é que estão baratos, se forem considerados apenas seus fundamentos. Para quem não quer se arriscar no instável mercado acionário ou “vai aplicar no curto prazo, os CDBs têm se mostrado uma opção bastante interessante”.

Em setembro, os CDBs pagaram na média 1,03%. Os fundos DI (que também rendem juros) deram retorno em torno 1,06%. Outra aplicação do segmento, os fundos de renda fixa, renderam 0,95% em média no mês. Mas os CDBs têm uma grande vantagem em relação aos fundos: não cobram taxa de administração, que tem custo entre 1% e 4% ao ano.

As taxas oferecidas pelos CDBs variam de um banco a outro e consideram o montante que o cliente tem para investir. Normalmente, paga-se mais para aplicações maiores. O CDB de grande investidor rendeu 1,17% no mês. É claro que nem sempre a rentabilidade do CDB vai se mostrar insuperável. Pode haver fundos DI ou de renda fixa que batam o retorno do CDB. Tudo depende de como o gestor monta a carteira do fundo e de quanto cada banco está disposto a pagar para vender seu CDB.