11 de julho de 2026
Internacional

Britânico acredita que não vencerá guerra no Afeganistão

Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

Cabul - “Nós não vamos vencer essa guerra.” A declaração sobre o conflito contra o Taleban partiu do mais alto comandante militar do Reino Unido no Afeganistão, brigadeiro Mark Carleton-Smith.

“Trata-se de reluzi-la até um nível administrável de insurgência, que não seja uma ameaça estratégica e que possa ser gerida pelo Exército afegão”, disse Carleton-Smith ao “Sunday Times”.

O brigadeiro afirmou ainda que, que se o grupo fundamentalista estiver disposto a conversar, seria “precisamente o tipo de progresso necessário para pôr fim à insurgência”.

Na semana passada, o presidente afegão, Hamid Karzai, revelou ter pedido a mediação da Arábia Saudita para abrir negociações com o Taleban.

Mas um porta-voz do grupo disse ontem que não vai negociar e exigiu a retirada dos mais de 70 mil soldados estrangeiros do país, incluindo as tropas sob comando da Otan (a aliança militar ocidental) e as sob comando exclusivo dos EUA.

O ministro da Defesa do Afeganistão, Abdul Wardak, expressou decepção com as declarações de Carleton-Smith. “É a opinião pessoal do comandante”, disse.

Ele afirmou ainda que o sucesso do combate ao Taleban depende do desempenho dos 8 mil britânicos alocados na Província de Helmand, uma das mais violentas.

Na quarta-feira, o jornal satírico francês “Le Canard Enchainé” divulgou um telegrama do embaixador britânico no Afeganistão, Sherard Cowper-Coles, no qual ele defendia a instalação de um “ditador aceitável” naquele país.

Drogas em família

Documentos publicados pelo “New York Times” afirmam que o irmão do presidente afegão, Ahmed Wali Karzai, está envolvido com tráfico de drogas. De acordo com um relatório obtido pelo jornal, Ahmed intercedeu para que um contrabando de heroína apreendido em Candahar, em 2004, fosse liberado - ação que contou com o apoio do presidente, segundo os documentos.

Em entrevista concedida na semana passada ao “NYT’’, duas autoridades do governo Bush disseram que a Casa Branca acredita no envolvimento do irmão do presidente do Afeganistão com o tráfico e alertaram o chefe de governo afegão por diversas vezes.

As acusações nunca foram investigadas, apesar de os rumores sobre a relação de Ahmed com tráfico de drogas serem conhecidos no Afeganistão. Porta-voz do presidente Karzai negou que o irmão dele esteja envolvido em atividades ilícitas, ou que o presidente tenha agido em seu favor.

Críticos têm acusado o governo Bush de ter falhado em adotar uma ação mais agressiva contra o tráfico de drogas no Afeganistão. Tal iniciativa descontentaria os produtores de papoula, a oposição e os chefes tribais locais. O Afeganistão fornece 95% da produção mundial de heroína.