Ourinhos - O vereador com mais mandatos na região centro oeste do Estado é de Ourinhos (130 quilômetros de Bauru). O advogado Fauez Salmen, 66 anos, se elegeu pela nona vez consecutiva para mais quatro anos no Legislativo. Desde 1971, quando disputou a primeira vez a cargo eletivo, não perdeu nenhuma eleição que disputou à Câmara. É o político com recorde de mandatos, digno para entrar no Guiness Book.
“Talvez seja o recorde brasileiro”, declarou parlamentar na manhã de ontem. Ele obteve 1.287 votos (2,33% dos votos válidos) numa disputa que teve 115 candidatos inscritos por uma das 11 vagas. Ficou entre os 10 mais votados da cidade.
Salmen é de Agudos e reside em Ourinhos desde 1958, quando o pai se mudou para administrar um posto de gasolina.
Bom orador, Salmen chegou a trabalhar por um período na antiga TV Bauru. Ele foi fundador do serviço de alto falante em Agudos, mas sempre esteve em contato com a população, principalmente na área de futebol, outra paixão do vereador.
Se formou advogado em 1968 e iniciou a carreira política na Aliança Renovadora Nacional (Arena), o partido que dava sustentação ao regime militar.
Ele se notabilizou ao comandar o palanque de campanha do candidato a prefeito Rubens Bortolocci que conseguiu derrotar Domingo Camerlingo Caló, um ex-prefeito com mais de um mandato e principal cacique da política local. O advogado recém formado contagiava o eleitorado.
Qual o segredo dessa longevidade política? Salmen diz que não promete aquilo que não pode cumprir. Ele mantém um escritório de advocacia no centro da cidade que atua em várias áreas, mas tem fama na área criminal.
Salmen conta que a maior dificuldade foi quando da vinculação do voto. O eleitor tinha que votar no candidato a governador, a prefeito, a vereador, a deputado estadual e federal do mesmo partido.
Essa foi artimanha da ditadura militar para tentar vencer as eleições, mas o feitiço virou contra o feiticeiro em tempos do chefe da Casa Civil Goubery do Couto e Silva e o MDB saiu vencedor das urnas em vários estados e municípios do país.
Salmen foi o único do partido que conseguiu mais um mandato, embora sua votação tenha caído. Nos anos seguintes, ele se reelege com folga.
Durante esse período de legislativo, Salmen passou por três partidos. Na Arena assistiu a mudança de nome para PDS, PP, PTB e PSDB, atual sigla quando aderiu ao governo Toshio Misato, reeleito domingo com votação esmagadora.
Simpatizante do ex-governador Paulo Salim Maluf, Salmen conviveu com vários prefeitos de diferentes siglas partidárias, mas sempre esteve do lado dos governos municipais e não esconde uma linha mais à direita conservadora.
Já fez oposição contra o governo de Esperidião Cury (PMDB), quando integrou uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que quase custou o mandato do ex-prefeito peemedebista, mas depois apoiou as últimas administrações municipais.
Para Salmen, a política não muda por ser uma ciência de “convergência de interesses”. “Essas mudanças de partido ocorrem por conveniência e sobrevivência política”, diz o vereador sem constrangimento.
Apesar de bom de voto, Salmen é crítico do eleitor. “Falta uma educação política ao povo. O eleitor está viciado e acha que o candidato é obrigado a atender as reivindicações dele, inclusive aquelas de pagar a luz atrasada, água e cesta básica. Ele vê o candidato como uma fonte para resolver as necessidades básicas. Não olha e nem analisa se o candidato tem condições de bem representá-lo na Câmara, na Assembléia e no Congresso”, afirma com a língua afiada.
Em 30 anos de carreira política, Salmen afirma que tem credibilidade e nunca se envolveu com maracutaia. “Tenho independência para manifestar a minha opinião e tenho atitude”, disse o vereador.
Salmen tem uma tese de que não deve haver oposição sistemática, porque na Lei Orgânica consta que uma das funções do legislativo é ajudar o Executivo de forma independente mais harmônica.
Ele ressalva de exceção se o governante é mau administrador. “Quando há corrupção e improbidade deve-se combater, mas a obrigação é o vereador ajudar a administrar o município”, declarou.
Nunca quis ser prefeito, apesar de ser várias vezes reconhecido nas urnas. A explicação é a de que não tem índole e nem temperamento para ocupar cargo no Poder Executivo.