Rio - Cerca de 2.800 crianças ficaram sem aula ontem na zona norte do Rio devido a conflitos entre policiais e traficantes anteontem, que terminaram na morte de três pessoas. Seis escolas e duas creches, além de estabelecimentos comerciais, ficaram fechadas após ordem de traficantes locais, segundo a Polícia Militar.
Um dos mortos no conflito de domingo, Gilberto Martins da Silva, o Mineiro, era o suposto chefe do tráfico da Cidade Alta, em Cordovil (zona norte), de acordo com o 16º Batalhão de Polícia Militar (Olaria). O batalhão afirma que os outros dois mortos também eram traficantes.
Durante todo o dia, o comércio da Cidade Alta e de parte de Cordovil ficou fechado por ameaça dos traficantes de drogas da área, que decretaram luto pela morte de Mineiro, conforme o batalhão de Olaria. No início da manhã, as escolas e creches municipais do bairro cancelaram as aulas.
No total, 2.800 crianças de seis escolas e duas creches ficaram sem aulas, de acordo com a Secretaria Municipal de Educação do Rio. A secretaria afirmou que as instituições foram fechadas por medida de segurança, mas disse não saber se houve ordem direta de traficantes.
Apesar das supostas ameaças do tráfico, não houve registro de tumulto e tiroteio ontem, de acordo com a Polícia Militar. Os três supostos traficantes mortos anteontem foram baleados por policiais do 16º BPM. O batalhão alegou que os homens atiraram contra os policiais durante uma incursão de rotina por ruas da Cidade Alta.
Há duas semanas, o estudante Thiago Gomes Alle, 17, morreu após ser baleado na cabeça dentro de seu quarto, em um prédio da Cidade Alta, durante operação do 16º BPM no local. A Polícia Civil investiga se o tiro que atingiu o jovem partiu dos policiais que participavam da operação. Ainda não há conclusão sobre o caso.