09 de julho de 2026
Polícia

Após confusão, policiais mantêm greve

Por Lígia Ligabue | Com Da redação
| Tempo de leitura: 2 min

Os policiais civis continuam em greve em todo o Estado. A decisão foi tomada ontem em assembléia realizada na Capital com presença de delegação de Bauru. Porém, poucos minutos depois, um grupo de policiais ligados à Associação de Delegados de Polícia Civil do Estado de São Paulo (Adpesp) se reuniu novamente e decidiu pela suspensão do movimento por 48 horas, notícia amplamente divulgada pela imprensa. Rapidamente, o Sindicato dos Delegados do Estado de São Paulo (Sindpesp) realizou uma assembléia extraordinária, que ratificou a continuidade da greve.

A confusão pode ter tido duas motivações: racha da categoria quanto à greve ou uma ação velada do governo através da Adpesp para desestabilizar o movimento. Alegando que a associação não tem poder para decidir pela suspensão da greve - somente os sindicatos possuem autorização do Tribunal Regional do Trabalho para isso -, os policiais civis organizaram uma nova assembléia e ratificaram a continuidade do movimento grevista. “A associação não negocia e o que eles decidiram não tem valor”, criticou José Leal, presidente do Sindpesp.

À imprensa, Sérgio Roque, presidente da Adpesp, afirmou que a suspensão de 48 horas a partir de amanhã seria para abrir um canal de negociação com o governo, para o que Estado apresentasse nova proposta.

De acordo com Leal, a votação da associação foi realizada às portas fechadas e não contou com nenhum representante de Bauru. O delegado regional do Sindpesp Edson Cardia criticou a postura da associação. “Foi uma decisão estranha e ainda não temos a informação do motivo. Foi uma atitude no mínimo suspeita”, afirmou.

Em nota enviada à imprensa, a Adpesp ressaltou que os delegados da associação suspenderão a paralisação por 48 horas e enviariam uma contraproposta para ser analisada pelo governo. Leal garante que não há divisão no movimento, já que a votação paralela teria envolvido poucos delegados. “Não cria racha já que foi uma minoria que participou dessa votação. A grande maioria decidiu pela continuação da greve”, destaca. A Aspesp não possui dirigentes em Bauru.

No sábado, os policiais rechaçaram uma proposta não-oficial do governo. O Estado ofereceu a extinção da 5.ª classe e ascensão direta à 3.ª classe, desde que se cumpra estágio probatório de dois anos, reposição linear de 6,2% para todas as carreiras, aposentadoria especial e a promessa de não haver retaliações administrativas. A efetivação das propostas era condicionada à volta da categoria ao trabalho.

Ontem, os sindicados que representam os policiais civis decidiram que somente receberão proposta oficial. A paralisação entra na sua quarta semana sem expectativa de acordo entre grevistas e Governo do Estado. “A greve continua aberta, por tempo indeterminado”, destaca Cardia.