08 de julho de 2026
Bairros

Lixo eleitoral é recolhido só no Centro

Marcelo de Souza
| Tempo de leitura: 2 min

A eleição acabou, mas na maioria dos locais de votação em Bauru ainda há “santinhos” dos candidatos espalhados pelo chão. A equipe de varrição da Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb) trabalha apenas na área central da cidade. E nos bairros, eles só devem desaparecer com o tempo a não ser que surja algum voluntário para fazer a limpeza.

O problema é que não deu tempo de ninguém pensar em recolher. A chuva transformou os “santinhos” em massas compactas de sujeira que permaneceram nas ruas até ontem e, provavelmente, até hoje, amanhã e depois, se ninguém limpar. Enquanto isso, os 20 funcionários que fazem a varrição das vias públicas da área central estão tendo trabalho dobrado por causa da eleição.

Além dos “santinhos”, há panfletos para todos os gostos, de todas as siglas partidárias. Aparentemente faltou combinar a defesa do meio ambiente com os cabos eleitorais que saíram na madrugada de domingo espalhando sujeira em forma de “santinhos” e adesivos.

Dentro das escolas, o trabalho é dobrado para o pessoal da limpeza. Na escola estadual Durval Guedes de Azevedo, no Jardim Ouro Verde, uma equipe da Cooperativa de Profissionais das Áreas Operacionais em Instituições de Ensino (Unicoope) começou a varrição às 7h de ontem, segundo a cooperada Rose Terto. O problema é que, além de varrer, os três funcionários tinham que praticamente raspar o chão para retirar as crostas de papel molhado que se formaram no entorno da escola.

“Eles (candidatos) não deveriam fazer isso. Prometem que vão limpar a cidade, mas começam sujando. Já começaram mal”, reclamou Rose. Do outro lado da rua, a dona de casa Aparecida Maria Gonçalves tentava tirar com água o que não havia saído com a vassoura. Indignada, ela se queixou da postura dos candidatos que atiram “santinhos” nas ruas no dia da eleição. “Ninguém vem limpar. Eles sujam no dia, depois ganham a eleição e não fazem nada”, disse.

Nas imediações da escola estadual Plínio Ferraz, na Vila Independência, a situação também era crítica. Uma funcionária de cooperativa fazia a varrição da calçada em frente à escola. Em um bar na mesma rua, o comerciante Nelson Gimenes Pereira também questionou a atitude dos candidatos. “É uma porquice”, afirmou. Para ele, não deveriam jogar tantos papéis na rua, porque, na prática, não funciona como propaganda. “Eles acham que alguém pega esses papéis?”, questionou.

Já Luiz Carlos Granna ressaltou que os candidatos contribuíram para que as ruas ficassem mais sujas do que já estão.