10 de julho de 2026
Economia & Negócios

Taxas de juros sobem e prazos sofrem redução para financiar veículos

Patrícia Zamboni
| Tempo de leitura: 4 min

Financiar veículos novos e também seminovos está um pouco mais difícil. Conforme divulgado anteriormente pelo Jornal da Cidade, os bancos estão mais criteriosos para conceder crédito em operações a longo prazo. A medida é resultado do temor de que a crise econômica iniciada nos Estados Unidos gere reflexos maiores e resulte em aumento da inadimplência. Entre as principais mudanças estão o aumento das taxas de juros e a redução dos prazos de financiamento para, no máximo, 60 meses.

Em uma concessionária de Bauru consultada pela reportagem, os juros mensais que antes giravam em torno de 1,20%, agora se situam entre 1,60% e 1,70%. Outra alteração significativa, segundo a analista de crédito Andressa Marins, é a exigência de pagar um determinado valor como entrada para obter o financiamento.

“Para veículos zero quilômetro, os bancos estão pedindo 10% do valor como entrada. Nos financiamentos de seminovos a exigência é maior: 30% de entrada. Não tem mais financiamento em 60 meses sem entrada. Os bancos estão fazendo isso de maneira preventiva para tentar frear um pouco o volume (de operações de crédito)”, observa Andressa.

Segundo ela, o aumento das exigências já resultou na redução da procura por financiamentos na concessionária. “As pessoas estão apreensivas, com medo de fazer parcelamentos longos e, depois, o problema ficar mais grave aqui no Brasil.” Na avaliação da analista de crédito, o volume de financiamentos deve ficar um pouco abaixo na comparação com o mesmo período do ano passado, “mas não de forma significativa em relação aos resultados da empresa”, diz.

Em outra revenda de veículos, o diretor Milton Simão diz que os bancos suspenderam os financiamentos em 72 parcelas. A taxa média de juros, que antes oscilava de 1,30% a 1,40%, agora gira em torno de 1,80%.

“Algumas operadoras (de crédito) ainda trabalham com financiamento em até 60 meses, mas não são todas, principalmente para aquisição de veículos a partir do ano 2006. Antigamente, qualquer carro era vendido (com pagamento parcelado) em 60 e até 72 vezes. Agora, a maioria das financeiras está operando com financiamento em até 48 meses, com taxa de juros mais elevada”, observa.

Segundo ele, o volume de negócios não chegou a cair na empresa. “O brasileiro gosta de comprar quando pode pagar. Se estiver dentro do orçamento, a pessoa compra, porque o automóvel é um bem necessário”, afirma. Na avaliação dele, a situação para o setor ainda não é preocupante, já que nos primeiros nove meses deste ano a produção e as vendas de veículos no País tiveram aumento em torno de 25% na comparação com o mesmo período de 2007.

Cautela

O economista Wagner Ismanhoto enfatiza que o momento é de cautela para todos. No caso dos financiamentos de veículos, há duas situações que precisam ser analisadas: a real necessidade de fazer a compra neste momento e as oportunidades que podem surgir diante da retração do mercado.

“O mercado deu uma esfriada também no setor de veículos novos. Algumas montadoras já falam em férias coletivas (para os funcionários) para equacionar a questão da produção, porque já começaram a sobrar veículos novos. Quando isso ocorre, as montadoras podem investir em condições facilitadas de pagamento que não são oferecidas quando o mercado está aquecido. No momento há mais montadoras querendo vender carros do que gente querendo comprar. Então, as pessoas devem analisar se este é o momento de comprar um veículo de acordo com a necessidade de cada um”, orienta o economista.

Segundo ele, como as taxas de juros estão mais altas, o mais correto no momento é evitar o financiamento. “Quem puder, deve esperar. Quem estiver realmente precisando comprar um carro agora, deve ficar atento às condições oferecidas, pesquisar muito e negociar para fechar a melhor compra”, adverte Ismanhoto.

Em relação a outros investimentos, o economista diz que a postura de cautela e observação também é válida. “O mercado está nervoso, o que significa que não é hora de mexer em nada. Quem tem ações na Bolsa, mantenha a calma e não tome atitudes precipitadas. Quem estava pensando em começar a investir no mercado de ações antes de crise, deve esperar essa turbulência passar. Também não é o momento de investir em dólar, porque agora a cotação está em alta, mas ninguém sabe como o mercado estará quando a pessoa quiser vender”, enfatiza.