Desde pequena Thaís Alves Marinho, 16 anos, quer ser médica. O bom rendimento obtido na escola Irmã Arminda Sbríssia, onde a adolescente cursa o primeiro ano do ensino médio, pode ser o primeiro passo para realizar o sonho. Isso porque é uma dos 44 estudantes do ensino médio da rede pública de Bauru e Arealva selecionados para participar do programa de pré-iniciação científica da Universidade de São Paulo (USP). Os estudantes vão atuar em pesquisas da universidade ainda receberão bolsa de estudo.
A iniciativa visa apoiar projetos de pesquisa nas áreas exatas, biológicas e humanas. A primeira turma de estudantes foi apresentada na tarde de ontem na USP de Bauru, com a presença de pais e alunos. Trinta deles irão trabalhar em projetos orientados por professores da Faculdade de Odontologia de Bauru (FOB) e 14 em pesquisas sob a responsabilidade de docentes do Centinho.
Durante um ano, serão contemplados com uma bolsa de estudos no valor de R$ 150,00 mensais para uma jornada de oito horas semanais. Para Thaís, a oportunidade é um grande passo para seu futuro profissional. “Estou sempre interessada em qualquer tipo de curso ou alguma oportunidade”, salienta ela, que ficou surpresa com a escolha.
“Estava sentada na carteira e um dia um professor da universidade perguntou se eu tinha interesse em participar. Depois viram minhas notas e aí pude ingressar na USP”, lembra a estudante que mora no Parque Jaraguá com os pais e mais quatro irmãos – é a filha mais velha. Sorrindo e sem disfarçar a ansiedade, ela afirmou que espera ser exemplo na família. “Espero que eles (seus irmãos) vejam meu desempenho e também consegam chegar lá”, diz.
E planeja guardar parte dos R$ 150,00 mensais da bolsa de estudo. O restante servirá para ajudar a mãe. Professor da disciplina de histologia da FOB, Gerson Francisco de Assis será orientador de uma das turmas. Com ele, os alunos irão aprender técnicas de preparação de lâmina, coleta de tecido animal e processo de obtenção de glândulas salivares.
“Para isso iremos disponibilizar todo o material que temos aqui para despertar o interesse do aluno, principalmente dentro da disciplina”, afirma. Para trabalhar com um grupo pouco habituado a termos técnicos, Gerson afirma que vai começar com a parte mais simples. “E a primeira será como se comportar dentro de um laboratório. Uma das minhas preocupações é colocar um aluno de segundo grau num ambiente com material perigoso”, diz.
O novo ambiente também é novidade para o estudante César Augusto Gimenes, outro selecionado. “É uma oportunidade única, já que o objetivo da escola é preparar para o vestibular e aqui teremos a chance de fazer pesquisas”. Já Nataliê Caroline Raimundo Alves, estudante do primeiro ano do ensino médio da escola estadual Luiz Zuiani, pretende agregar os ensinamentos ao futuro profissional. “Já que a oportunidade surgiu, posso, quem sabe, me interessar pela área. Com certeza isso trará um destaque em meu currículo escolar e profissional”.