11 de julho de 2026
Bairros

Mais de 11 mil, nordestinos fazem vida nova em Bauru

Da Redação
| Tempo de leitura: 3 min

São quase dois mil quilômetros de distância entre a Bahia, o primeiro Estado do Nordeste, e Bauru. Mas os 11.826 migrantes dos sete Estados desta região que moram em Bauru, segundo o último censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), realizado em 2000, podem aqui encontrar a famosa farinha, carne seca e outros itens da culinária típica, que também caiu no gosto dos bauruenses. Para hoje, Dia do Nordestino, não está programada nenhuma comemoração, mas a maioria dos migrantes mantém as tradições apesar da nova vida na cidade do Interior paulista.

André Amaral Silva, mudou-se de Guanambi, no interior da Bahia, para Bauru há oito anos com um único objetivo: estudar. E está conseguindo realizar seu sonho. Estabilizado no emprego, ele está concluindo a faculdade neste ano. Seu primeiro trabalho na cidade foi numa lanchonete e após três meses foi contratado pela Transurb (associação das empresas que operam no transporte coletivo da cidade) para ser cobrador.

Desde então, já foi promovido duas vezes. De porteiro, hoje é fiscal de tráfego da empresa. “Escolhi o Estado de São Paulo porque sempre tive o sonho de estudar, de me formar”, conta André.No final do ano, o fiscal concluirá o curso de pedagogia e não planeja voltar para à Bahia. “Eu sempre penso em crescer, por isso não quero voltar. Aqui tive a oportunidade de um bom emprego e de tornar o meu sonho realidade”, revela. “Agora, quero continuar estudando e crescer cada dia mais”, finaliza.

Restaurante

A história de Reinaldo Pires é semelhante a de muitos nordestinos. Há cinco anos em Bauru, ele saiu de Salvador com a esposa e os dois filhos em busca de emprego e educação. “Trabalhava em um restaurante, mas não tinha chance de crescer. Como meu irmão já estava aqui em Bauru, resolvi tentar a vida na cidade”, explica Reinaldo, que hoje é proprietário de um restaurante especializado em comidas nordestinas localizado na área central de Bauru.

No início, Reinaldo conta que sofreu com o preconceito. “Existe muita discriminação. No Nordeste, o povo é receptivo, companheiro, acolhedor e aqui não existe isso”, relembra. “Com o tempo, aprendi a me relacionar com os paulistas. Hoje, consegui me estabelecer, meus filhos têm boa educação e, apesar de vivermos para o trabalho, não penso em voltar para Salvador”, acrescenta.

Para Reinaldo, a maior diferença entre sua terra natal e Bauru é o lazer. “Faltam opções de lazer gratuitas na cidade. Em Salvador, tínhamos praias, praças. Por outro lado, aqui temos boas oportunidades de emprego e de estudo”, finaliza.

Mas o migrante que sentir saudade da comida típica tem em Bauru um empório especializado em produtos do Nordeste e outras regiões do Brasil. Há quatro anos em Bauru, o Empório Barres – A sua casa do Norte oferece desde farinhas a rapadura. De acordo com Fábio Barrezzi, que é paulistano, proprietário do estabelecimento, os artigos mais procurados são a farinha do Nordeste que, por não ser lavada para a retirada do polvilho, possui um sabor mais forte, e a farinha d’água, que é granulada e tem gosto azedo.

“Os nordestinos também sempre vêem em busca da carne seca, que é seca apenas com sal, sem aditivos”, conta. “Além disso, a Casa do Norte comercializa a castanha de caju, produto típico do Nordeste, que faz parte da alimentação dos paulistas, e o doce de buriti”, finaliza Fábio.

Espalhados pela cidade, os migrantes atuam em várias áreas, mas a construção civil é uma das que mais emprega nordestinos. De acordo com Cláudio da Silva Gomes, presidente do Sindicato dos Trabalhadores na Construção Civil, eles representam cerca de 20% dos 8 mil trabalhadores da área. “A maioria dos trabalhadores já está aqui há anos”, frisa. A cidade de São Paulo é a porta de entrada dos nordestinos, que aos poucos vão se espalhando pelo Estado, chegando a Bauru. Por isso, no Dia do Nordestino, o Jornal da Cidade buscou algumas histórias e curiosidades desse povo.