A idéia lançada por um grupo de torcedores noroestinos de mudar o nome do clube bauruense de Esporte Clube Noroeste para Bauru Esporte Clube gerou polêmica na cidade. Apesar dos contrários serem maioria, a iniciativa também foi apoiada. A proposta foi assunto durante todo o dia de ontem no site da torcida organizada Sangue Rubro e o Jornal da Cidade recebeu vários e-mails defendendo e criticando a alteração. Comunidades do clube no Orkut também debateram fervorosamente o tema.
“Gostei da idéia. Se for para melhorar, estaria de acordo. Bauru Esporte Clube cai bem”, afirmou Vandir Pereira Norato, que entrou em contato com o Jornal da Cidade por e-mail. A opinião é compartilhada por Humberto Mancini. “Paulo Laranjeira foi muito feliz. Tenho certeza (que a idéia) contará com todo apoio da torcida e do povo da nossa cidade. Temos que colaborar, e muito, com esse patrimônio que temos chamado Bauru Esporte Clube”, disse também via e-mail.
Outras mensagens condenavam a idéia. “O problema não é o nome e sim uma certa ganância por parte dos dirigentes, bem como a falta de “jogo de cintura” do departamento de marketing. O problema do Norusca não é o nome e sim a falta de um noroestino no marketing, bem como de um noroestino na gerência de patrimônio”, opinou um dos torcedores (o nome não está sendo citado porque o JC não conseguiu entrar em contato para conseguir autorização).
O noroestino considera positivo o fato dos torcedores estarem preocupados com a situação do clube, mas vê solução dissociada da mudança de nome. “É saudável ver pessoas preocupadas com o futuro do nosso time. Mas a simples mudança de nome não mudará a situação atual”, acredita. Para o torcedor, o nome Noroeste já está associado ao nome de Bauru. “Com relação à identidade da cidade para com o time, todos os canais de TV falam ‘Noroeste de Bauru’. No limiar do centenário do clube, mudar seu nome é um crime”, decretou.
No site da Sangue Rubro, houve consenso. A reprovação à idéia foi unânime. Os comentários no mural variavam de torcedores alterados ao bom humor. O presidente da organizada, José Roberto Pavanello, externou o pensamento dominante entre os afiliados. “Tenho opinião totalmente contrária. Como é que vai mudar o nome de um clube que vai fazer 100 anos? Mudar uma história de 100 anos? A ferrovia está ligada à história da cidade. Vai fazer igual ao Paulista de Jundiaí? Mudou para Etti e não virou nada. Duvido que a idéia vá ter respaldo”, opinou.
O ex-presidente noroestino Ibrahim Cameschi também se posicionou contrário à mudança de nome. “Acho que não tem fundamento. Acho uma idéia totalmente descabida, injustificada. O nome Noroeste faz parte da história do esporte amador e profissional de Bauru. Em qualquer lugar onde você vá, em São Paulo, no Brasil e no Exterior, Esporte Clube Noroeste lembra Bauru”, garantiu. “Esta questão de pouco público, de empresário patrocinando é normal, acontece em qualquer clube e o Noroeste não é diferente. O Noroeste não é um clube problemático, tem negociado jogadores e tem gerado dinheiro”, apontou.
Cameschi não perdeu a oportunidade de alfinetar o arqui-rival Marília. “O Marília sim é problemático. O Marília leva o nome da cidade. Agora, vendeu o jogo contra o Corinthians para Londrina porque o povo não vai ao estádio”, considerou. Cameschi ainda citou um caso local para justificar sua opinião. “O exemplo está em Bauru. O BAC (Bauru Atlético Clube) acabou com o futebol profissional porque não tinha apoio”, lembrou.
Para Cameschi, a identificação com a ferrovia é justa. “Foi a ferrovia que alavancou o progresso de Bauru até os anos 80. Quem construiu tudo aquilo (Noroeste) foi a ferrovia, não foi a cidade. Sou ex-ferroviário e participei de tudo. O que precisa é se unir em torno do Noreoste. Tem que ajudar o Esporte Clube Noroeste, que existe”, declara. O ex-presidente noroestino também apontou entraves burocráticos para a mudança de nome. “Além do mais, têm questões judiciais que envolvem o clube, há cláusulas (do estatuto) que não podem ser mudadas. Vai fazer outro campo?”, questionou.
O Jornal da Cidade tentou entrar em contato com o também ex-presidente Cláudio Amantini, que está viajando, mas não conseguiu localizá-lo. O JC ainda procurou o diretor do Noroeste, Fernando Garcia, mas não obteve retorno. O atual presidente, Damião Garcia, foi contatado, mas seu assessor informou que não poderia atender ontem.