A greve dos bancários chega hoje ao décimo dia e ainda atinge cerca de 50% das agências de Bauru, segundo o sindicato da categoria. Enquanto o movimento persiste na cidade, os bauruenses buscam formas alternativas para realizar suas transações bancárias.
Ontem à tarde, as casas lotéricas do Centro da cidade registraram movimento intenso de clientes, principalmente para pagar contas e boletos bancários. Desde que a categoria iniciou a paralisação, no último dia 30, os serviços foram suspensos na maior parte das agências da cidade e as lotéricas começaram a ser cada vez mais procuradas pelos clientes que não optam pelos terminais de auto-atendimento dentro das unidades bancárias.
Andréia Carvalho, gerente de uma casa lotérica localizada na avenida Nações Unidas, diz que desde o início da greve a procura por serviços oferecidos pelo estabelecimento está bem acima no normal. Na avaliação dela, o movimento tem sido, diariamente, semelhante ao do quinto dia útil de cada mês, quando o número de clientes chega a ser 80% superior aos dias considerados normais.
“Tem muita gente, principalmente pessoas idosas, que não sabem ou não têm o hábito de usar os caixas eletrônicos dos bancos. Então, essas pessoas estão usando mais as casas lotéricas para pagar contas (água, luz, telefone), boletos bancários ou fazer depósitos”, afirma a comerciante.
Para dar conta de todo serviço frente ao aumento da demanda, as duas máquinas da lotérica estão operando sem interrupção. “Neste mês, a gente não parou”, observa Andréia.
Alcides de Oliveira Junior, dono de uma lotérica no Centro da cidade também confirma o aumento de serviço no estabelecimento desde o início da greve dos bancários. Ele salienta que o aumento na procura deve-se a empresas que, até então, costumavam fazer suas transações nas agências.
“A pessoa física já está mais acostumada a pagar na lotérica. Mas com os caixas dos bancos fechados, as empresas também passaram a nos procurar”, observa. Conforme apurou a reportagem, nos caixas eletrônicos dos bancos o movimento de clientes também têm sido intenso.
Outros canais
Por meio de nota, a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) informou que os correntistas também têm à disposição as centrais telefônicas dos bancos e a rede composta pelos correspondentes bancários, como agências dos correios, redes de supermercados e outros estabelecimentos comerciais, além das casas lotéricas. A entidade lembra ainda que o ‘Internet banking’ e as operações por meio de celular continuam funcionando normalmente.
Conforme explica Tadeu Aparecido Barbosa, diretor do Sindicato dos Bancários de Bauru (CUT), só não é possível realizar o pagamento de contas atrasadas e serviços que demandem identificação do cliente, como troca de senha do cartão do banco, por exemplo. “Se a pessoa perdeu o cartão, deve pedir o bloqueio por telefone, mas terá de ficar sem ele até que a greve termine”, comenta. No entanto, ele salienta que os bancos paralisados não cobrarão juros ou multa das contas vencidas durante o período de greve.
O motivo para a paralisação dos bancários se baseia principalmente na questão salarial. A estimativa da categoria é que os vencimentos estejam com defasagem de 31%, bem acima dos 7,5% de reajuste oferecidos pela Fenaban.
O índice proposto pela entidade incidiria sobre benefícios como tíquete e cesta alimentação, além de participação nos lucros equivalente a 80% do salário do funcionário, acrescida do valor fixo de R$ 943,00, porém limitado a salários de aproximadamente R$ 2.500,00. Mas a categoria reivindica participação linear nos lucros, sem limite de salários, e gratificação de R$ 3.500,00. Além disso, cobra contratação de mais funcionários, já que o déficit de mão-de-obra é apontado como o maior causador de filas nas agências.
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Interdito
Embora a maioria das unidades locais do Banco do Brasil e da Nossa Caixa tenham aderido ontem à paralisação, acompanhando o movimento que atingiu 20 Estados brasileiros, as agências dos bancos privados estão voltando gradativamente ao trabalho por força da Justiça, que concedeu aos banqueiros liminares de interdito proibitório. Pela lei, esse recurso garante a preservação do patrimônio físico e a manutenção da posse de propriedades.
Mas, na prática, de acordo com Marcos Lenharo, outro diretor do sindicato (filiado à Conlutas), esse recurso determina o retorno imediato às atividades nas agências, mesmo que seja necessária força policial ou aplicação de multa.
“Isso é uma injustiça com o trabalhador, porque o interdito não tem nenhuma relação com o movimento grevista. O problema é que, com essa liminar, o banco nos impede de ficar em frente às agências e, ao mesmo tempo, ligam na casa dos funcionários pressionando para que eles voltem ao trabalho”, acusa o sindicalista. Por conta dessa medida, segundo Lenharo, os bancos Itaú, Santander, ABN AMRO, HSBC e Bradesco estão funcionando normalmente em Bauru.