09 de julho de 2026
Geral

AHB propõe fusão de UTIs infantis e redução de vagas

Lígia Ligabue
| Tempo de leitura: 3 min

Fundir em um único lugar as duas Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) para crianças da Associação Hospitalar de Bauru (AHB), entidade que administra a Maternidade Santa Izabel e o Hospital de Base. Essa foi a solução encontrada para sanar a falta de pediatras intensivistas para plantões nas UTIs. A saída não viria sem ônus, entre eles a possibilidade de redução de leitos, translados mais longos do Pronto-Atendimento Infantil (PAI) para a internação e necessidade de investimento em reformas e na aquisição de equipamentos.

O problema da falta de pediatras para os plantões na maternidade foi evidenciado pelo Jornal da Cidade em junho. Na ocasião, um grupo de médicos também informou que a entidade enfrentava crise estrutural e de funcionários, além de criticar a qualidade dos equipamentos disponíveis na entidade, que não seriam mais adequados.

Aparentemente o problema havia sido sanado, já que o valor pago aos médicos por plantão foi aumentado e as escalas de trabalho, adequadas. Porém, nesta semana a falta de pediatras voltou a assombrar a maternidade. E para tentar sanar de vez a questão, médicos e gerência se reuniram. A saída apontada foi otimizar a equipe disponível, fazendo a fusão dos leitos de UTI, que seriam concentrados no prédio da maternidade, nos Altos da Cidade. A proposta é iniciar o atendimento unificado no mês que vem.

Procurado pelo Jornal da Cidade, o superintendente da AHB, Reinaldo Rocha, confirmou a possibilidade. Ele revelou que um engenheiro está elaborando um laudo para avaliar as condições da maternidade receber os seis leitos de UTI infantil que hoje funcionam no Hospital de Base. A intenção é somar esses aos oito leitos da UTI neonatal da maternidade. Caso não seja possível, serão transferidos para a maternidade apenas quatro leitos.

Segundo o superintendente da AHB, uma possível redução de leitos na UTI infantil não comprometeria o atendimento. “A nossa média de ocupação é de quatro leitos”, garante. A proposta será apresentada ao Ministério Público.

Em entrevista ao Jornal da Cidade, um funcionário da maternidade, que pediu para não ter a identidade divulgada, avaliou que essa saída seria um retrocesso, já que a separação das UTIs é prática de mais de 50 anos na medicina do País. Além disso, ele pondera que a maternidade não tem equipamentos para exames necessários em casos de crianças que sofreram traumas, por exemplo.

“Juntar é inviável. Chega uma criança vítima de uma acidente, passa pelo PAI e é mandada para a UTI. Se ela precisar de ressonância, tem que mandar de volta para o Base. Se precisa de raio-x, também. E se ela tiver que passar por cirurgia vai ter que ser no Base também. E como fica?” , questiona.

Outro problema apontado por ele é a questão salarial. Ele conta que mesmo após ter aumentado o valor dos plantões, a AHB não pagou integralmente os pediatras. “Assim, os especialistas deram preferência para os hospitais que pagam e foram embora”, critica.

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Valor do plantão

Além da proposta de fusão das UTIs, a AHB também irá aumentar o valor por plantão para R$ 515,00. “Isso demonstra o comprometimento desse grupo com a comunidade e com a entidade. Antes, o pedido era de R$ 600,00 e eles se comprometem em, após a fusão, a receber esse valor”, diz Reinaldo Rocha.

Hoje trabalham na UTI do Hospital de Base cinco médicos e outros oito na unidade intensiva neonatal da maternidade. Como os especialistas mantêm outras atividades, não é possível completar a escala de plantões. Com a fusão de UTIs, e os 13 médicos trabalhando no mesmo lugar, isso será sanado.