08 de julho de 2026
Cultura

‘Bagunça é nosso lema’

Karla Beraldo
| Tempo de leitura: 6 min

“Bagunça é nosso lema, nossa forma de viver”! Segundo Ricardo Maia, idealizador do “Bagun S.A.”, esse é o hino que melhor define o espetáculo, que estréia sua temporada nacional, hoje à noite, em Bauru. A frase é letra de uma das 15 composições - entre canções e trilhas instrumentais - feitas especialmente para o projeto, que combina modernos números circenses, teatro, música e dança no mesmo picadeiro. O espetáculo começa às 20h30, sob a lona do Circo Fiesta, montada na avenida Nuno de Assis (próximo ao Fórum).

A trilha sonora inédita, composta por Tato Fisher e Márcio Araújo, também diretor artístico do espetáculo, é apenas uma das atrações propostas pela trupe. Por meio da narração de uma emocionante história de amor, o projeto traz para o picadeiro uma concepção de circo vanguardista, que une os tantos números circenses existentes ao enredo de forma inovadora.

“Queremos mostrar que podemos fazer coisas de circo além daqueles números tradicionais, combinado tudo de forma encantadora, criando e fazendo coisas novas e diferentes. Essa é a grande vontade nossa com o espetáculo”, diz Maia sobre o projeto, orçado em mais de R$ 1,5 milhão, em entrevista coletiva realizada ontem.

Outro diferencial está na estrutura montada sob a tradicional tenda azul e amarela do Circo Fiesta, de 38 metros de diâmetro e capacidade para mil pessoas. De acordo com Maia, dos assentos à recepção do público, tudo foi feito para proporcionar o conforto e sofisticação dos grandes circos da Europa e Estados Unidos. “A arquibancada é composta por cadeiras, o picadeiro é maior, a lona é de um uma formato italiano que permite uma rápida montagem e desmontagem com toda segurança necessária, além de tudo estar posicionado de forma que dê maior visibilidade para a platéia. É uma estrutura rara nos circos do Brasil”, garante o diretor.

Para Maia, “Bagun S.A.” é ainda uma forma de mostrar que é possível começar grandes projetos pelo Interior do País. “Esperamos que mais pessoas comecem a montar suas produções dando força ao Interior”, deseja Maia, também um dos realizadores de “Stapafurdyo”, do circo Roda Brasil, visto por mais de 120 mil pessoas.

O sucesso da passagem desse espetáculo por Bauru foi, aliás, uma das razões da cidade ter sido escolhida para a estréia. “Fomos muito bem recebidos pelo público de Bauru e quando imaginei o projeto, pensei que tudo pudesse começar aqui. Depois entraram empresas da cidade como patrocinadoras da nossa turnê nacional e acabou virando tudo uma feliz coincidência”, explica.

Segundo Maia, a expectativa é de que 8 mil pessoas vejam “Bagun S.A.” até o final da temporada em Bauru, prevista inicialmente para o dia 19. Daqui, a trupe seguirá para Piracicaba e depois fará apresentações nas capitais São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Curitiba e em outros 15 municípios brasileiros, até dezembro de 2009.

Grande família

A idéia de unir tantas artes em um mesmo espetáculo só podia resultar em um grande aprendizado e momentos de trocas intensos para os artistas. Foi assim que boa parte do elenco de “Bagun S.A.”, presente na coletiva de ontem, definiu a experiência de compor este espetáculo.

“Atores que viraram mágicos, palhaços que aprenderam a cantar, uma verdadeira integração das artes”, conta Márcio Araújo, diretor artístico do espetáculo, sobre os 15 artistas do espetáculo, selecionados entre os mais de 100 que disputaram as vagas. “Nos tornamos uma grande família mesmo. E as pessoas que conhecemos e o que a gente aprende são as coisas que levamos dos espetáculos”, diz o pernambucano Ronaldo Aguiar, que interpreta o palhaço Topete na peça.

Como integrante desse elenco, um rosto conhecido, porém não habituado à lona, disse estar bastante ansioso com a estréia. “Eu nunca havia pisado em um picadeiro”, revela o ator Carlinhos Moreno, famoso garoto-propaganda da Bombril. Segundo Moreno, o que mais o impressionou foi a solidariedade existente entre os artistas, considerado por ele, um valor vital. “É um universo novo e fascinante para mim, além de ter a oportunidade de trabalhar com pessoas talentosíssimas”, conta o ator, que interpreta o mágico Sr. Bigode.

Nesse time, está também Camila Ortunho, única mulher no Brasil a trabalhar com a modalidade “faixa aérea”, no circo, devido a força e preparo físico necessários para execução; e o ucraniano Konstantin Makarkin, que além de números de malabarismo e equilibrismo, apresenta o rouecyr, feito com uma espécie de aro gigante - o número é realizado por apenas quatro pessoas no País.

Assim como eles, responsáveis pelos números mais ousados do espetáculo, grande parte do elenco já teve experiências internacionais. Para Gabriela Argento, que em “Bagun S.A.” representa a palhaça Franja, é muito importante conhecer outras realidades tão diferentes. “O bom é que nós somos respeitados lá fora como artistas. A diferença do brasileiro é que a sua criatividade está diretamente ligada à sua necessidade de sobrevivência”, avalia a artista, que participou mais de três anos do Cirque du Soleil.

• Serviço

“Bagun S.A.” estréia hoje, às 20h30. Espetáculo segue até 19 de outubro com sessões às quintas e sextas, às 20h30; aos sábados às 20h30 e às 22h30, e aos domingos às 20h30. Ingressos a R$ 20,00 (inteira) e R$ 10,00 (meia-entrada) à venda no Teatro Municipal (avenida Nações Unidas, 8-9), na 100% Vídeo, na bilheteria do Circo Fiesta (avenida Nuno de Assis) ou pelo site www.ingressorápido.com.br. Mais informações pelo telefone (14) 4003-1212.

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Enredo da bagunça

"Bagun S.A." narra uma história de amor, vivenciada em 1900. O enredo contará a história do Sr. Bigode, interpretado por Carlos Moreno, dono de um circo decadente. Endividado, o proprietário do Circo Capenga manda alguns de seus artistas embora e, entre eles, está o palhaço Topete que é apaixonado pela trapezista Aninha, filha de Bigode.

Topete, interpretado pelo pernambucano Ronaldo Aguiar, com a ajuda de outro palhaço, cria uma empresa fictícia para reerguer o circo e impedir que ele seja fechado - a Bagun S.A. - na verdade, para poder ficar perto de sua amada.

Depois de descoberta toda a farsa, dá-se início ao segundo ato do espetáculo, no qual os palhaços despedidos saem às ruas a procura de artistas para montar um novo circo. Enquanto isso, Bigode, já velho, sofre com a falência de seu picadeiro. Sua filha decide, então, levá-lo para conhecer esse novo espetáculo.

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‘Psicodélico’

Paralelamente ao “Bagun S.A.”, a lona do Circo Fiesta também abriga em Bauru o espetáculo “Psicodélico”, que estreou no último sábado. O espetáculo leva a platéia aos anos 70, reunindo o melhor do circo tradicional brasileiro, mas também com uma visão moderna.

“É o espetáculo da nossa infância, que homenageará o grande momento do circo que foi a década de 70. A moda, a música, o comportamento e os personagens principais dessa época foram o pretexto para darmos uma roupagem moderna e contagiante ao tradicional”, afirma César Guimarães, produtor do espetáculo, em material de divulgação.

“Psicodélico” também segue as apresentações até o dia 19 de outubro com sessões às 16h e 18h, aos sábados e domingos.