Brasília - Em meio às articulações de integrantes do PMDB para lançar candidato próprio à presidência do Senado, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu em conversa com a cúpula do PMDB, anteontem à noite, a escolha de um candidato do PT para presidir a Casa Legislativa. Lula avalia que, como o PMDB lançou o deputado Michel Temer (PMDB-SP) para disputar a presidência da Câmara, a eleição de um petista preserva o equilíbrio de forças no Legislativo.
Integrantes do PMDB sinalizaram a Lula que o acordo firmado com o PT para a presidência da Câmara não garante, automaticamente, que o partido do presidente fique com o comando do Senado.
Pelo acordo, fechado no final de 2006, o PMDB apoiou a candidatura do deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP) para a presidência da Câmara. Em contrapartida, os peemedebistas estabeleceram que o PT deve apoiar o nome de Temer em 2009.
Pela tradição do Congresso, os partidos com as maiores bancadas na Câmara e no Senado devem indicar os nomes para presidir as Casas. Como o PMDB reúne as maiores bancadas tanto na Câmara quanto no Senado, os petistas esperam ficar com o comando de uma delas. Senadores do PMDB argumentam, porém, que no Senado a correlação de forças com a oposição é diferente.
Os peemedebistas estariam dispostos a apoiar um nome de PT se ele for consensual entre os diversos partidos da Casa Legislativa, mas não descartam a candidatura própria caso a oposição ameace entrar na disputa para derrubar o nome petista.
Lula disse aos peemedebistas que pretende manter-se neutro na disputa, mas não escondeu sua preferência pela eleição do senador Tião Viana. O presidente trabalha pela unidade, já com vistas às eleições presidenciais de 2010.