10 de julho de 2026
Internacional

Bolsa de Nova York registra sua maior queda dos últimos 21 anos

Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

Nova York - A expectativa de resultados muito ruins na safra de balanços do terceiro trimestre juntou-se agora ao congelamento do mercado de crédito, aumentando os temores de recessão e derretendo mais uma vez, e com ainda mais força, o mercado financeiro norte-americano. Com isso, o principal índice da Bolsa de Nova York teve ontem a maior queda em 21 anos, com montadoras e empresas de energia aparecendo como as novas vítimas do aperto no crédito, ou seja, da redução nos gastos pelos consumidores.

A Bolsa de Valores de Nova York despencou pelo sétimo dia consecutivo. O Dow Jones caiu 7,3%, aos 8.579 pontos, o maior recuo desde 26 de outubro de 1987. Desde o seu pico, em 9 de outubro do ano passado, o principal índice da Bolsa nova-iorquina já recuou cerca de 40%. O S&P 500 se desvalorizou em 7,6%, e a Bolsa eletrônica Nasdaq, 5,5%. No ano, o S&P 500 acumula perda de 38%, a maior desde 1937.

Para cada ação que subia ontem no pregão na Bolsa de Nova York, outras 20 despencavam. As quedas acumuladas nos últimos sete dias dos dois principais índices da Bolsa são as maiores desde o crash de outubro de 1987. No caso da Nasdaq, é a maior desde dezembro de 2000, no estouro da “bolha da Internet”.

As maiores perdas se concentraram na última hora do pregão, quando vários analistas começaram a visualizar com mais clareza a dimensão do desaquecimento que já atingiu em cheio a chamada “Main Street”, ou a “Rua Principal”, como os americanos chamam a economia não-financeira no país.

Além dos bancos, que vinham liderando as perdas nos últimos dias, entraram agora na espiral de baixas as ações de grandes empresas diretamente ligadas ao consumo, sinalizando a expectativa de uma forte recessão a caminho.

Os papéis da General Motors caíram 31%, ao pior nível em 58 anos. Os da Ford, 22%. As duas montadoras podem ter a sua nota rebaixada, informou ontem a agência de classificação de risco Standard & Poor’s. Além, disso, uma consultoria reduziu as previsões de vendas de veículos e disse que o setor pode entrar em “colapso”.

O “cheiro” dos balanços ruins (a grande maioria ainda não foi publicada) vem dos resultados que a ponta do comércio já apresenta. Segundo a consultoria Retail Metrics, 63% das principais cadeias de lojas do país não conseguiram alcançar as metas de setembro, que já tinham sido rebaixadas ao longo do período. As vendas da gigante Target, por exemplo, caíram 14,8% no mês passado.

Na média das 500 empresas que integram o índice S&P 500, a expectativa menos pessimista é a de que os ganhos tenham caído, no mínimo, 8% entre os meses de julho e setembro.

“Acho que devemos esperar algo mais próximo de 20%”, afirma Dirk van Dijk, diretor da Zacks Investiment Research, uma das várias consultorias que fazem projeções.

Na média do setor financeiro, a expectativa é que as perdas atinjam 68% no terceiro trimestre, sobre igual período de 2007. O resultado só não será pior porque já foram limados do cálculo os bancos que quebraram nas últimas semanas.

Dijk e outros analistas afirmam que setembro foi um período muito ruim de vendas, que culminou com o congelamento do mercado de crédito. A GM e a Ford, por exemplo, financiam grande parte dos seus consumidores na compra dos automóveis que fabricam. É esse dinheiro que está desaparecendo do mercado.