O espaço ocupado pelo cinema de animação infanto-juvenil no circuito exibidor brasileiro também equivale a quase um latifúndio das produtoras e distribuidoras norte-americanas. De vez em quando, no entanto, alguém fura o bloqueio, como é o caso de “Caçadores de Dragões”, que estréia hoje nos cinemas de Bauru.
Embora o longa seja uma co-produção de França, Alemanha e Luxemburgo, em esforço para viabilização e circulação de projetos, característico da política audiovisual da União Européia, a gênese é mesmo francesa: uma série animada para a TV, em 26 episódios, de 2004.
Um de seus criadores, Arthur Qwak, assume, ao lado do estreante Guillaume Ivernel - especializado em efeitos especiais -, a direção do filme, que investe no aspecto visual inusitado e no bom humor das situações para capturar a atenção do público infanto-juvenil e a simpatia dos pais.
A ação se ambienta em um universo em desintegração, literalmente. Como se não houvesse mais a força da gravidade em certas partes do planeta, pedaços de terra vão se separando uns dos outros. Caminhar corresponde a uma pequena aventura, muitas vezes sem retorno.
Dois duvidosos caçadores de dragões, acompanhados por um cachorro espertalhão e por uma menina de fantasia prodigiosa, são enviados a contragosto ao epicentro desse fenômeno, na tentativa de evitar o caos. O desafio parece muito maior do que a capacidade do quarteto de enfrentá-lo, e a consciência dessa distância rende cenas de ação com fundo cômico.
Realizado com tecnologia digital a um custo de US$ 11 milhões (gigante para os padrões brasileiros, mas modesto se comparado às produções do gênero nos Estados Unidos), “Caçadores de Dragões” chega atrasado aos cinemas de Bauru, mas aproveita, agora, o final de semana do Dia das Crianças.