08 de julho de 2026
Articulistas

O que o munícipe quer


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Bauru é sem dúvida alguma uma linda cidade, poderia entretanto ser muito mais bonita, não fosse o fato de ser uma cidade, infelizmente, muito mal administrada. E isto não é de hoje! Qualquer cidadão comum aqui residente e minimamente esclarecido sabe disso. Se é difícil aceitar tal constatação, mais difícil ainda é suportar as explicações sem a menor consistência que os políticos daqui dão para justificar a falta de solução para os problemas que assolam o município, principalmente quando se sente na pele os efeitos danosos de um poder público quase inoperante. Para aqueles que fazem parte da elite econômica dessa cidade e para os políticos, Bauru é referência. E até o é, porém da forma como fazem essa colocação parece até que aqui é o paraíso. O que não é verdade!

O ser referência depende do ponto de vista. Do ponto de vista do munícipe, do cidadão comum, que depende dos serviços públicos municipais, certamente falta muito para que a cidade possa ser considerada um paradigma a ser seguido.

Falta, por exemplo, reduzir a buraqueira, pois acabar parece impossível, organizar e realmente controlar o transporte coletivo urbano, que é operado segundo os interesses das concessionárias e não da população, que no final é quem paga o “pato”. Para quem duvida, experimente usar ônibus nos finais de semana e feriados. Existe ainda o problema da coleta de lixo, que melhorou, mas que precisa evoluir muito mais, Bauru é ainda uma cidade suja. Há ainda que melhorar profundamente as condições de habitabilidade das regiões e bairros mais pobres da cidade, investindo em saneamento, iluminação pública, esgoto (coleta e tratamento), recuperação e preservação dos mananciais, postos de saúde, escolas, creches, praças de esporte e lazer, etc.

Essas são algumas coisas, dentre muitas outras que o munícipe quer e espera. Não quer apenas discurso, quer acima de tudo atitude. Quer uma administração municipal dinâmica com órgãos e serviços funcionando plenamente, com agilidade, eficiência e eficácia. O munícipe não quer mais políticos envolvidos, mas sim comprometidos com a causa pública.

Os políticos, via de regra, trabalham em ambientes com ar condicionado, café e água mineral à vontade. Os cidadãos comuns, que é quem banca os gordos salários dos vereadores e do prefeito, trabalham sem regalias, muitas vezes sob o sol quente e escaldante, são usurpados em seus direitos ao serem obrigados a utilizar serviços públicos precários, como ônibus superlotados, quando vão ou retornam do trabalho. O mais difícil de aceitar é que os senhores vereadores e o senhor prefeito foram conduzidos a seus cargos justamente para trabalhar em prol do povo, contudo, tão logo empossados são contaminados pelo vírus do “não é comigo, foge a minha alçada”. Para tudo as respostas são sempre evasivas, do tipo, o problema é antigo, vem da gestão anterior. Oras bolas, disso o povo tá careca de saber! A questão é que antes de serem eleitos, todos se dizem possuidores de idéias e planos infalíveis para os problemas da cidade, entretanto depois de eleitos e empossados, assumem-se incompetentes para a tarefa. Pior ainda é que, mesmo incompetentes, julgam-se no direito de se auto-concederem reajustes salariais, que apesar de legais (leis não são imutáveis, mudemos as leis existentes nesse município e no País que legitimam tais absurdos) são completamente imorais, um desrespeito ao povo dessa cidade e do Brasil. Como diria o Bóris Casoy: “Isso é uma vergonha!”. Retomando, talvez seja por isso tudo, que o ponto de vista dos políticos seja tão diferente do ponto de vista do cidadão comum. Este desabafo é meu, como cidadão precisava fazê-lo, talvez possa ser também o de muitos outros cidadãos comuns, munícipes assim como eu que não aceitam a falta de sensibilidade e de vergonha na cara dos políticos bauruenses. Chega! Queremos políticos mais comprometidos, que demonstrem mais compromisso, honestidade e caráter no exercício do mandato delegado pelo povo dessa cidade, que trabalhem a favor do povo e não em prol de si mesmos, como vem ocorrendo nesta cidade já há alguns anos.

O autor, Cláudio José de Sá, é colaborador de Opinião