09 de julho de 2026
Nacional

Policiais retomam greve e fazem protesto

Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

São Paulo - Aproximadamente 1.500 policiais civis - parte deles armados com pistolas e revólveres- fizeram uma manifestação por aumento salarial na avenida Paulista (região central de São Paulo) na tarde de ontem.

A Delegacia Geral de Polícia, subordinada à Secretaria da Segurança Pública, determinou que a escolta fosse feita por motos e unidades táticas da própria Polícia Civil, e não pela Polícia Militar, como ocorre em outras manifestações, a fim de evitar um possível confronto entre os dois órgãos.

A manifestação ocorreu um dia depois do fracasso nas negociações com o governo, após uma trégua de 48 horas na greve, em que o atendimento foi retomado normalmente nas delegacias. O governo não aceitou a proposta da categoria de aumento linear de 15%, aposentadoria especial aos 30 anos de serviço e extinção da 4ª e da 5ª classes das carreiras da Polícia Civil, entre outros pontos.

O secretário de Gestão Pública, Sidney Beraldo, afirmou que o governo não pode conceder um aumento linear superior a 6,3% devido a restrições orçamentárias e à crise financeira internacional -que, segundo estudos preliminares da secretaria, deve diminuir a arrecadação em 2009.

De acordo com Beraldo, nos últimos dois dias de negociação, o governo apresentou uma proposta de aumento salarial que equivale a um investimento de R$ 650 milhões na folha de pagamento da Polícia Civil e da Polícia Militar. Na fase inicial da greve, a proposta inicial do governo significava um investimento de R$ 500 milhões. “Cada 1% de aumento que damos custa R$ 58 milhões ao Estado’’, disse o secretário.

Beraldo disse também que o governo só volta a negociar com o fim da greve e que as 48 horas de trégua foram “muito pouco tempo para mostrar os impactos (dos benefícios oferecidos pelo governo) nas carreiras”. Sobre a manifestação, Beraldo afirmou: “Os sindicatos politizaram e partidarizaram o movimento”.

Apoio político

Os policiais se reuniram por volta das 13h de ontem no vão livre do Masp. Na maior parte do tempo, o protesto ocupou a calçada, mas em alguns momentos os policiais também se espalharam pela faixa da direita da Paulista. O ato terminou em frente à Secretaria de Gestão Pública, na rua Bela Cintra, fechada pelos manifestantes.

O deputado estadual Roberto Felício (PT) subiu no carro de som e declarou apoio da bancada do PT à greve. O presidente da Força Sindical, o deputado federal Paulo Pereira da Silva (PDT), também declarou seu apoio. O presidente do sindicato dos delegados, José Leal, disse que, apesar de o movimento grevista não estar ligado a nenhum partido político, toda ajuda é aceita.

Mediação

O presidente da OAB-SP (Ordem dos Advogados do Brasil), Luiz Flávio Borges D’Urso, disse ontem que vai atuar como interlocutor entre o governo do Estado de São Paulo e os policiais civis em greve para tentar pôr fim à paralisação, iniciada no dia 16 do mês passado. Após o fracasso das negociações com a categoria, anteontem, D’Urso foi procurado por sindicalistas da Polícia Civil. Ele se reuniu hoje com representantes dos delegados, dos investigadores e dos escrivães.