09 de julho de 2026
Geral

Técnica permite criar cópias do corpo

Rodrigo Ferrari
| Tempo de leitura: 3 min

Imagine uma impressora diferente, capaz de criar modelos tridimensionais quase exatos de partes do corpo humano (um crânio ou uma mandíbula, por exemplo). Pode até parecer coisa de filme de ficção científica, mas não é. Criada originalmente para o desenvolvimento de peças para a indústria, a prototipagem é uma técnica que consiste na reprodução tridimensional de objetos, tecidos e órgãos em diferentes tipos de materiais.

Na área da saúde, o método vem sendo cada vez mais usado para o planejamento de cirurgias e outras intervenções médicas. Em Bauru, a técnica se encontra à disposição do público há pouco mais de três meses, por meio de uma empresa especializada em diagnósticos por imagem. A cidade é, hoje, uma das poucas no Estado que contam com o serviço.

A máquina de prototipagem rápida utilizada pela empresa cria modelos complexos a partir da adição de camadas de materiais. Em vez de tinta, é colocado no cabeçote da impressora um substrato à base de gesso que dá origem ao protótipo. A exatidão do equipamento é tão grande que ele é capaz de reproduzir até mesmo a densidade e a textura de tecidos e órgãos.

A prototipagem é um processo composto de diversas etapas. Primeiro, o paciente se submete a uma tomografia computadorizada. O objetivo é captar imagens detalhadas da estrutura a ser reproduzida em 3D.

Desenvolvido na Suécia, o tomógrafo da empresa utiliza uma tecnologia denominada “cone pin” - em outras palavras, realiza tomadas volumétricas em cone da estrutura a ser examinada. Dessa forma, é capaz de captar de uma vez a imagem de um crânio ou de uma perna, por exemplo.

A imagem digital é então transferida para um computador, onde será trabalhada pelos profissionais da empresa. Depois, elas são enviadas para a impressora que, por meio de um software específico, passa a criar os modelos tridimensionais.

Além disso, as imagens (bem como os laudos) ficam à disposição de médicos e dentistas, que podem acessá-las via Internet. A precisão dos protótipos é de cerca de 99%. Para se ter uma idéia das perfeição que atingem os biomodelos, é possível se recriar através da prototipagem um feto que ainda se encontra no ventre materno.

Por enquanto, porém, as aplicações do equipamento se encontram mais ligadas às áreas da odontologia e das cirurgias de cabeça. Para se criar o protótipo de um maxilar, por exemplo, o paciente terá de dispor de aproximadamente R$ 500,00 - metade para o exame de ressonância magnética e outra parte para custear a produção do biomodelo.

Se quisesse reproduzir uma estrutura maior - um crânio, por exemplo -, o interessado teria de dispor de uma quantia bem mais salgada (cerca de R$ 1,5 mil). Em todo caso, é difícil que os médicos e dentistas tenham de recorrer a modelos tão grandes, razão pela qual a técnica acaba se tornando acessível ao grande público.

Nem sempre foi assim. Cristiane Ulbrich, dona de uma empresa de prototipagem rápida instalada em Campinas, lembra que, nos anos 80, modelos usados para cirurgias cranianas (apenas a parte óssea) costumavam custar até R$ 20 mil. Hoje, com a evolução das técnicas de prototipagem, é possível se reproduzir até estruturas minúsculas, como veias e alvéolos pulmonares.

A prototipagem pode abrir novos rumos para a área médica, principalmente na criação de próteses a partir de biomateriais (materiais como o titânio, o hidrogel e certos tipos de cerâmicas, compatíveis com o organismo humano). “Dentro de algum tempo, será possível criar modelos usando biomateriais, que poderiam ser colocados na pessoa e permanecer pelo resto da vida”, explica Cristiane Ulbrich.

A principal vantagem seria que as próteses desenvolvidas a partir do método teriam tamanho e formato exatos, o que facilitaria a adaptação do paciente às estruturas artificiais.