Achei que você não resistiria e entraria em colapso total quando perdeu uma pessoa que você muito amava. Uma pessoa que, após um longo sofrimento físico, faleceu. Deixando em você um vazio enorme. Mas você surpreendeu pelo invejável controle emocional. Por fora você á uma doce ovelha: meiga, feminina, educada. Por dentro, você esconde uma tigresa: tem garra, batalhadora, enfrentando todos os problemas numa serenidade transcendente. E você tem apenas 45 anos de existência.
Depois de ter labutado por mais de dez horas durante o dia, administrando conflitos humanos e negócios financeiros numa empresa, você ainda acha energia e tempo disponível para prestar serviço voluntário noturno num hospital. É impressionante como você, tendo recebido do destino um limão amargo, transforma este limão numa limonada, adicionando pitadas de açúcar provenientes de uma alma grandiosa como a sua.
No trabalho você comanda uma equipe heterogênea. No hospital você é um soldado, servindo aos mais necessitados, premidos pela dor física. Longe dos holofotes, com discrição, você distribui serviços, atenção, afetividade. Certos montes orientais vivem dentro de uma laura para que possam atingir a ascese. Você, ao contrário, não se conforma em viver dentro da laura. Mais importante que a laura é amenizar o sofrimento humano onde ele prepondera com mais intensidade: num hospital.
Como muito bem diz o poeta francês Michel Quoist: “... amar é essencialmente fazer dom de si mesmo/ porque ninguém pode pecar por amar/ o pecado está em não amar/ em não amar o bastante ou em amar mal/ podemos amar quem quer que seja/ pois amar é, antes de mais nada, querer/ querer o bem do outro...” Portanto, você vivencia isto magistralmente no dia-a-dia. Que Deus lhe dê uma longa vida porque sua missão nesta vida é relevante para a raça humana, sequiosa de grandes almas, de grandes exemplos de vida.
Eu