Cerca de 100 comerciantes e industriários acompanharam a palestra “Qualidade das Informações”, ministrada por Homero Rutkowski, um dos idealizadores da Nota Fiscal Eletrônica (NF-e), na Associação Comercial e Industrial de Bauru (Acib), anteontem. A iniciativa teve como objetivo esclarecer dúvidas sobre a implantação da nova tecnologia, a partir de 2009, em 622 empresas do Estado de São Paulo que possuem maior recolhimento de Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços (ICMS) e Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI).
A NF-e é um modelo de documento fiscal, de existência apenas digital, com validade jurídica garantida pela assinatura digital, criado para substituir a nota fiscal modelos 1/1-a (notas em papéis). A inovação tecnológica foi criada com a finalidade de evitar a sonegação. “A partir de 2010, a Nota Fiscal Eletrônica deve ser implantada em todas as empresas que recolhem ICMS e IPI. Com isso, vai baixar o índice de sonegação a praticamente zero no Estado”, explica Gláucia Lopes, diretora da Planae Tecnologia da Informação. “A nota eletrônica fará um cruzamento das informações entre quem compra e quem vende. Os usuários terão que identificar o valor gasto, os itens comprados e a movimentação do estoque”, complementa.
Além disso, a NF-e também trará benefícios aos empreendedores. “A Coca-Cola do Rio Grande do Sul, por exemplo, gasta cerca de R$ 400 mil por ano com a emissão de notas fiscais. Com o uso da nova tecnologia, eles vão economizar e o trâmite das negociações serão mais rápidos”, acrescenta o palestrante.
Atualmente, mais de 3,6 bilhões de notas de papel são armazenadas no Estado. O projeto da NF-e é uma parceria desenvolvida entre o Encontro Nacional dos Administradores e Cordenadores Tributários Estaduais (Encat) e a Receita Federal. Desde setembro de 2006, a nota é usada de forma voluntária por contribuintes do ICMS. Mais de 1,7 mil contribuintes testam a nova tecnologia. Além de São Paulo, recebem a NF-e os estados de Goiás, Rio Grande do Sul, Bahia, Maranhão e Santa Catarina.
“Nosso objetivo é fazer com que os empreendedores entendam a implantação da Nota Fiscal Eletrônica para fazerem a adequação, que demora cerca de um ano. Por meio da digitalização, a Receita Federal pretende, em 10 anos, enviar às empresas e indústrias o Imposto de Renda pronto, para que elas apenas confiram”, revela Gláucia.
A palestra foi realizada pela Vila Rica Desenvolvimento Pessoal e pela Tecma, e faz parte do projeto que visa trazer ao interior informações com qualidade diferenciada. Contou com apoio do Jornal da Cidade e da Acib e Empresa Júnior da Instituição Toledo de Ensino (ITE).