08 de julho de 2026
Internacional

Bolsas têm altas históricas com pacote

Por Folhapress | Com Reuters
| Tempo de leitura: 4 min

Londres - O mundo apostava fortemente na recapitalização de bancos como a saída mais rápida para a crise financeira ontem, o que revigorou os mercados acionários após sua pior semana na história.

Liderados pela Inglaterra, os governos europeus concordaram em garantir bilhões de dólares ao sistema bancário em movimentos que podem se tornar um teste crucial para a confiança do investidor na capacidade dos governos para reverter a crise. O Federal Reserve, o Banco Central Europeu 9BCE), o Banco da Inglaterra e o Banco Nacional da Suíça afirmaram que eles irão emprestar aos bancos comerciais toda a liquidez em dólar que eles precisarem.

Brown em alta

O primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, chamou a atenção do mundo ao propor a injeção de mais capital nos bancos e incentivá-los a emprestar novamente.

Os Estados Unidos têm desde então caminhado para perto dos líderes europeus, que estavam em Washington durante o final de semana para o encontro do Grupo dos sete países mais desenvolvidos (G7).

Brown ainda foi chancelado pelos eleitores britânicos, mas a sua notoriedade global tem crescido em meio à crise. Ele ainda pediu aos líderes mundiais que criem uma nova “arquitetura financeira” para atualizar o sistema econômico mundial corrente, que foi definido na conferência de Bretton Woods em 1944.

O plano britânico de ajuda aos bancos prevê a liberação de 37 bilhões de libras (64 bilhões de dólares) do dinheiro dos contribuintes para ajudar os três principais bancos em um movimento que pode tornar o governo o seu principal acionista. A Alemanha, França, Itália e outros governos europeus também anunciaram pacotes de resgates que totalizam centenas de bilhões de dólares.

Bolsas Europa

As Bolsas européias fecharam ontem com altas expressivas, indicando que o os investidores se animaram com as iniciativas combinadas de diversos governantes - em especial o americano e os europeus - neste fim de semana para controlar a crise financeira que provocou quedas históricas na semana passada.

A animação é relacionada à série de pacotes de ajuda que foram previamente acordadas ontem em uma reunião dos países da zona do euro (que usam o euro como moeda única), além de Inglaterra e Rússia. Também reflete as decisões do G7 (Grupo dos Sete, que reúne os sete países mais ricos do mundo) e do G20 de assegurarem o bom funcionamento dos mercados.

Alguns dos principais indicadores das Bolsas do continente tiveram ganhos de mais de 10%, com destaques para a Bolsa de Paris, onde o índice CAC 40 teve sua alta mais expressiva em 20 anos, e em Londres, com o FTSE tendo a segunda maior alta de sua história. A Bolsa de Londres fechou em alta de 8,26%, indo para 4.256,90 pontos no índice FTSE 100. A Bolsa de Paris subiu 11,18%, indo para 3.379,28 pontos no CAC 40. A Bolsa de Frankfurt subiu 11,4%, para 5.062,45 pontos no índice DAX. A Bolsa de Amsterdã teve alta de 10,5% no índice AEX, indo para 285,27 pontos. A Bolsa de Milão avançou 10,93%, para 16.125 pontos no índice MIBTel, e a Bolsa de Zurique teve ganho de 11,39% no índice SMI, que subia para 5.956,32 pontos.

EUA

O mercado acionário americano reagiu com euforia à série de pacotes anunciados pelos governos dos Estados Unidos e dos países da zona do euro para debelar a crise financeira causada pelos créditos imobiliários de alto risco (“subprime”). No primeiro dia com negociações após as medidas serem anunciadas, os principais índices das Bolsas locais indicaram altas expressivas.

O otimismo que tomou conta dos investidores pode ser traduzido pelo índice Dow Jones, o mais importante da Nyse (Bolsa de Valores de Nova York, na sigla em inglês). O indicador fechou com alta de 936,42 pontos, a maior de sua história, a 9.387,61 pontos - ganho de 11,08%. Na Bolsa tecnológica Nasdaq, o indicador Nasdaq Composite ganhou 11,81%, aos 1.844,25 pontos.

Com as boas notícias, os investidores saíram às compras com avidez, pois os preços dos papéis estavam baixos depois das perdas históricas da semana passada.

Bush fará pronunciamento

O presidente dos EUA, George W. Bush, se encontrará com seus conselheiros sobre os mercados financeiros na manhã de hoje e após irá realizar um pronunciamento sobre a economia.

Medida vem depois que o Departamento do Tesouro finalizou um projeto ontem para adquirir parcelas de instituições financeiras para restaurar a confiança nos mercados, atingidos nas últimas semana por um congelamento do crédito.