08 de julho de 2026
Polícia

A triste e rápida decisão de documentar a tragédia


| Tempo de leitura: 2 min

"O que seria uma tarde comum de lazer com os amigos numa chácara, anteontem, marcou minha vida. Entre uma cerveja e outra, ouço uma daquelas frases que nunca são levadas a sério, e que, quase sempre são realmente brincadeira. Era alguém gritando:

- Meu Deus! Caiu mesmo. Caiu o avião!

Me viro já esboçando o sorriso, achando ser brincadeira. Na metade do movimento do corpo, minha certeza vira dúvida ao ouvir um estrondo. Termino de me virar. Era verdade! A fumaça e o clarão vindos da mata denunciavam que algo muito sério havia acontecido. Olho fixamente para o local e em minha cabeça uma frase martela a cada segundo: Meu Deus é verdade! Que tragédia!

Passado esse momento - que havia sido uma eternidade em 5 segundos - meu pensamento estava confuso. Sou estudante de jornalismo e há aproximadamente 400 metros há um acidente de sérias proporções. Estático, ponho a mão no peito e sinto meu coração em disritmia. Pego uma câmera e decido documentar o acidente.

São 18h24 o momento exato que chego ao local. O cheiro de fumaça e combustível é muito forte. Algumas pessoas que me acompanhavam gritam para ver se há sobreviventes. Nenhuma resposta.

Os destroços do avião estão espalhados por toda a mata e o fogo dificulta a permanência no local. Insistimos na esperança de encontrar alguém. Pedaços da fuselagem por todos os lados dão um certo sentimento de impotência e reduzem amplamente as esperanças de encontrar alguém vivo.

Avisto o helicóptero Àguia da Polícia Militar sobrevoando o local. A câmera registra 18h25. A noite está começando a cair. Ainda impressionado e sem acreditar em tudo aquilo, me deparo com um pedaço da cabine do avião complemente em chamas. Uma labareda vem em minha direção e me faz afastar da aeronave. São 18h29.

Às 18h31 a sensação de que não havia sobreviventes devido ao grande impacto da queda se torna quase uma certeza. Logo após passar por um pedaço da asa, ainda em chamas, vejo inúmeros destroços de metal retorcido e preso em muitos troncos de árvore.

Às 18h34 o Corpo de Bombeiros chega ao local. Após se deparar com muitos fragmentos espalhados por todos os lados, a expressão de desolação e de um quase desespero dos profissionais traduziu o que já imaginava: as chances de sobreviventes eram mínimas.

Acompanho o trabalho dos bombeiros na busca por algum vestígio humano. Nada é encontrado. Por volta das 18h50, a Polícia Militar isola o local. Um policial me explica que árvores em chamas podem despencar a qualquer momento e que, necessariamente, eu devo ficar atrás da faixa de segurança. Fico no local até as buscas serem interrompidas, por volta das 20h15.

Segunda-feira busco informações sobre o caso na Internet e confirmo o que já sabia: Não há sobreviventes. O piloto, Antônio Carlos Mendonça Campos, estava sozinho na aeronave e morreu na queda. "

Leonardo Enrico Schimmelpfeng, 25 anos, estudante do terceiro ano de jornalismo da Unesp de Bauru